O Programa Bem-Me-Quer e Seu Impacto no Acre
No lançamento da primeira edição do GovCast de 2026, a delegada Juliana De Angelis, que coordena o Programa Bem-Me-Quer e representa a Polícia Civil do Acre em Políticas Públicas de Proteção a Grupos Vulnerabilizados, compartilhou insights sobre os avanços desse projeto. Sob a apresentação de Jefson Dourado, o programa é transmitido nas principais plataformas de comunicação do governo acreano e marca a abertura oficial da temporada deste ano.
Em sua entrevista, Juliana destacou a relevância do Programa Bem-Me-Quer no fortalecimento da rede de proteção às mulheres que enfrentam violência doméstica e familiar. A delegada explicou que a iniciativa visa proporcionar um acolhimento humanizado, especialmente em municípios que carecem de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam).
“Nos locais sem Deam, o Bem-Me-Quer estabelece salas específicas, decoradas e estruturadas para oferecer um ambiente acolhedor e seguro às mulheres vítimas de violência”, detalhou. Juliana ainda ressaltou que, nessas unidades, as vítimas recebem atendimento de uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos e assistentes sociais, garantindo um suporte integral desde o registro da ocorrência até o acompanhamento psicossocial.
Atualmente, o Programa Bem-Me-Quer se estende a nove municípios do Acre, ampliando significativamente o acesso das mulheres a um atendimento mais humanizado e especializado.
A Importância da Denúncia
Durante o GovCast, a delegada enfatizou a denúncia como uma ferramenta essencial para romper o ciclo de violência. “A mulher precisa compreender que não está sozinha. É crucial denunciar. Pode procurar qualquer delegacia de polícia para registrar a ocorrência”, afirmou.
Juliana também lembrou que as denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Disque 180, um canal nacional de atendimento voltado para mulheres. Além disso, enfatizou a importância das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, classificando-as como uma das mais significativas inovações trazidas pela legislação.
“As medidas protetivas salvam vidas. Dados indicam que mulheres que recorreram a esses instrumentos conseguiram interromper o ciclo de violência e preservar sua integridade”, observou Juliana.
Identificando a Violência nos Relacionamentos
A delegada ainda abordou que os maiores índices de violência doméstica ocorrem nos relacionamentos afetivos. Muitas vezes, a violência inicia de maneira sutil, através de agressões psicológicas, controle excessivo e isolamento da vítima, progredindo para agressões físicas. Por isso, é fundamental saber reconhecer os diferentes tipos de violência: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.
Compromisso da Polícia Civil no Combate à Violência
Juliana também destacou que a Polícia Civil do Acre atua continuamente no cumprimento de mandados de prisão contra agressores em todo o estado, reafirmando seu compromisso institucional no combate à violência doméstica. “Essa ação é uma determinação do delegado-geral, José Henrique Maciel, para garantir que esses agressores não fiquem impunes”, frisou a delegada.
Além das ações repressivas, a Polícia Civil desenvolve iniciativas educativas, promovendo palestras em escolas e empresas. Essas atividades visam disseminar informações e aumentar a conscientização sobre a violência contra a mulher, sendo realizadas em parceria com diversos órgãos da rede de proteção, fortalecendo a atuação integrada no enfrentamento a esse grave problema social.
Ao concluir a entrevista, Juliana reiterou que a informação é uma das principais ferramentas de proteção. “Identificar os sinais de violência e denunciar são passos fundamentais para salvar vidas. A Polícia Civil está pronta para acolher e proteger cada mulher que procurar ajuda”, finalizou.
