Fim de uma trajetória: Gladson Camelí fora do mandato eletivo
O ex-governador do Acre, Gladson Camelí (PP), não conseguiu se eleger para uma das duas cadeiras do Senado nas eleições do último domingo (4). A derrota encerra um ciclo de 20 anos consecutivos com mandato eletivo, período em que Camelí manteve uma trajetória política de sucesso. Com a apuração completa das urnas, ele obteve 16,59% dos votos (145.244), ficando atrás de Márcio Bittar (PL), com 25,59% (223.972 votos), e Mara Rocha (Republicanos), com 17,95% (157.104 votos), apesar de o resultado ainda estar sub judice.
Carreira consolidada e trajetória política
Natural de Cruzeiro do Sul e sobrinho do ex-governador Orleir Cameli, falecido em 2013, Gladson Camelí construiu sua carreira política pelo PP desde 2005. Formado em Engenharia Civil, ingressou na política influenciado pelo tio. Sua estreia nas urnas foi em 2006, quando foi eleito deputado federal com 18.886 votos. Quatro anos depois, em 2010, garantiu a reeleição com pouco mais de 30 mil votos.
Em 2014, conquistou uma cadeira no Senado com 58,37% dos votos válidos (218 mil votos), tornando-se o senador mais jovem daquela legislatura. Na ocasião, derrotou Perpétua Almeida (PCdoB), que obteve 36% dos votos. Em 2018, Camelí venceu a eleição para governador do Acre com 53,71% dos votos (223.993) e, quatro anos depois, em 2022, foi reeleito com 56,75% dos votos (242.100).
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Condenação e consequências eleitorais
Em abril, Gladson Camelí renunciou ao governo para disputar as eleições deste ano. Em setembro, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o recurso contra sua condenação por órgão colegiado, decisão tomada em maio. Com isso, ele se enquadra nas normas da Lei da Ficha Limpa, que estabelece inelegibilidade de oito anos para candidatos condenados.
Além disso, a decisão mantém medidas cautelares, como o bloqueio de bens e a restrição de contato com outros investigados. O processo segue trâmites legais, com possibilidade de novos recursos da defesa.
Operação Ptolomeu IV e investigações em andamento
Nas últimas semanas, a Polícia Federal (PF), em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), realizou a Operação Ptolomeu IV, que resultou na apreensão do celular e de três veículos pertencentes a Camelí, em seu condomínio no Recanto Verde. A operação é parte das investigações iniciadas no final de 2021, durante o segundo mandato do ex-governador, que apuram suspeitas de desvios de recursos públicos, lavagem de dinheiro e irregularidades em contratos no Acre.
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Este desdobramento reforça as consequências institucionais para Camelí, afetando diretamente sua atuação política e administrativa no estado. O próximo passo será acompanhar os desdobramentos judiciais e políticos desse caso, que podem influenciar o cenário político acreano nos próximos anos.
