Iniciativa Fitossanitária no Vale do Juruá
Em uma ação voltada para a proteção das lavouras e o fortalecimento da vigilância fitossanitária, o governo do Acre, através do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), deu início nesta terça-feira, 3, à força-tarefa 2026. A operação será realizada em áreas produtoras de cacau e cupuaçu localizadas no Vale do Juruá, abrangendo os municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, com previsão de término em 13 de fevereiro.
Esse esforço faz parte das estratégias preventivas implementadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para coibir a monilíase, uma das ameaças mais significativas às culturas de cacau e cupuaçu. A doença é provocada pelo fungo Moniliophthora roreri, que se espalha rapidamente devido à ação humana — especialmente por meio do transporte de roupas, ferramentas e sementes contaminadas. Além disso, práticas inadequadas de manejo dos frutos e a ação do vento, capaz de carregar os esporos por longas distâncias, contribuem para a disseminação do problema.
A engenheira agrônoma Maísa Bravin, que coordena as ações de combate à monilíase na região do Juruá, enfatiza a importância da atuação preventiva. “O Vale do Juruá é uma área fundamental para a produção de cacau e cupuaçu. O trabalho contínuo de inspeção e orientação é crucial para identificar precocemente qualquer foco da doença e evitar sua propagação. O trabalho do Idaf ocorre durante todo o ano, com vistorias em campo, mas a colaboração dos produtores e da comunidade é imprescindível para o sucesso dessa missão”, destacou.
Inspeções e Podas Sanitárias em Propriedades Rurais
No decorrer da força-tarefa, as equipes técnicas do Idaf realizarão inspeções minuciosas em propriedades rurais, áreas periurbanas e quintais produtivos, visando à identificação de sintomas que podem indicar a presença da monilíase, como deformações e apodrecimento dos frutos. Além das inspeções fitossanitárias, serão realizadas podas sanitárias em plantas que apresentem suspeitas de contaminação, com a correta eliminação de frutos e galhos doentes para minimizar as fontes de infecção.
Francisco Jemerson, um produtor rural do Ramal Santa Helena em Rodrigues Alves, expressou sua satisfação com a iniciativa do Idaf. “Esse acompanhamento é crucial para nós, produtores. Sentir que o Idaf está nos monitorando e orientando sobre como cuidar das nossas plantações nos traz mais segurança. Aprender a identificar frutos podres é essencial para evitar prejuízos”, comentou.
Orientação e Conscientização da População
Outro aspecto importante da força-tarefa é a orientação fornecida aos produtores e moradores da região. As equipes esclarecem a importância de não transportar frutos e materiais vegetais sem a devida autorização, além de informar sobre os principais sinais da monilíase e os passos a seguir em caso de suspeita. A conscientização da população é considerada estratégica, já que a propagação do fungo muitas vezes ocorre pela movimentação inadequada de materiais contaminados.
A colaboração dos produtores é fundamental; comunicar rapidamente qualquer suspeita da doença e permitir que as podas sanitárias sejam realizadas de acordo com as orientações do instituto é uma ação decisiva para impedir a disseminação do fungo. O governo do Acre, por intermédio do Idaf, mantém seu esforço contínuo para monitorar a saúde fitossanitária, garantindo segurança, sustentabilidade e apoio aos agricultores do Vale do Juruá.
