Uma Exposição que Transcende o Som
Neste sábado, 15 de abril, o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo abrirá suas portas para a exposição intitulada FUNK: Um grito de ousadia e liberdade. Idealizada inicialmente pelo Museu de Arte do Rio (MAR), onde foi exibida por um ano e meio, a mostra traz à tona a influência do funk na língua, nas artes visuais e na moda, apresentando um rico acervo sobre o funk paulista.
A exposição reúne 473 obras e itens de coleção, que incluem pinturas, fotografias e registros audiovisuais. O objetivo da curadoria é mostrar a história do funk além de sua sonoridade, enfatizando suas origens urbanas e periféricas, assim como seus impactos estéticos, sociais e políticos. Esta experiência cultural ficará em cartaz até agosto de 2026, convidando um público diversificado a explorar as múltiplas facetas do funk.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
Renata Prado, curadora da exposição, afirma que “essa é uma mostra para todos, independentemente de serem funkeiros ou não. Ela proporcionará uma perspectiva do funk que vai além do estilo musical, destacando-o como uma cultura rica e multifacetada”. Renata, que é também pesquisadora da cultura funk e relações étnico-raciais, é a idealizadora da Frente Nacional de Mulheres no Funk e tem um papel crucial na promoção desse movimento.
A curadoria explora ainda a presença do funk em várias esferas culturais, especialmente nas artes visuais contemporâneas. O funk se estabelece como uma referência de visualidade, alteridade e expressão, abrangendo diferentes abordagens artísticas. Entre os artistas contemporâneos que fazem parte da mostra estão nomes como Panmela Castro, Rafa Bqueer, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre e Rafa Black.
Um dos destaques da exposição é a obra de Tiago Furtado, que retrata a relação entre o rap e o funk na comunidade paulistana, com ícones arquitetônicos do centro histórico de São Paulo ao fundo. Por outro lado, Markus CZA, em uma de suas obras, enfatiza a intersecção dos movimentos negros no contexto paulista. “É fundamental que ações como essa permitam que instituições reconheçam e abracem a cultura funk, um espaço que foi historicamente negado a nós. É um avanço significativo que grandes museus abracem exposições sobre o funk”, destaca Markus CZA.
Renata Prado também salienta a essência da cultura funk, que brota de uma juventude da periferia. “Estamos falando de uma juventude que por muito tempo ficou silenciada. Agora, essa geração está derrubando barreiras e ocupando museus por meio de sua arte”, comenta a curadora.
Contexto Histórico do Funk
A exposição não só apresenta obras, mas também narra a história do funk desde suas raízes nos bailes black do Rio de Janeiro e São Paulo, que surgiram no final da década de 1960, alicerçados na ancestralidade negra já presente nas eras da Soul e Black Music. Esses espaços de lazer da juventude negra foram palco de eventos marcantes, como o show do cantor americano James Brown, que ocorreu na festa Chic Show, no ginásio do Palmeiras, em novembro de 1978, atraindo cerca de 22 mil pessoas. Este evento histórico é reinterpretado por artistas contemporâneos em obras criadas especialmente para a exposição.
Além disso, as fotografias de acervos pessoais de dançarinos, músicos e outras figuras que desempenharam papéis significativos no movimento musical também têm seu lugar garantido na mostra. Entre os retratos expostos, destacam-se ícones como Jair Rodrigues com os Originais do Samba, Nelson Triunfo, Gerson King Combo e Lady Zu. Essas imagens são um tributo à riqueza e à diversidade da cultura funk, que, finalmente, ganha seu espaço nos grandes museus do país.
