A Importância do Cooperativismo na Economia da Castanha do Acre
Em 2026, a castanha-do-brasil se destaca novamente na pauta econômica do Acre, em grande parte devido à atuação robusta das cooperativas agroextrativistas. Estas organizações desempenham um papel fundamental ao estruturar a cadeia produtiva, organizar a produção e facilitar o acesso a mercados, o que possibilita ao estado impulsionar suas exportações e se beneficiar da valorização no cenário internacional. O desempenho recente das exportações revela a importância estratégica do cooperativismo como pilar da economia da floresta no Acre.
Crescimento Notável nas Exportações em 2026
As exportações de castanha do Acre experimentaram um aumento considerável entre 2020 e 2025, alcançando um total de aproximadamente US$ 12,4 milhões no ano de 2025, uma progressão em relação aos US$ 3,6 milhões registrados em 2020. No entanto, o que mais surpreende este ano é o desempenho nos primeiros dois meses, que já totaliza cerca de US$ 6,5 milhões, superando a metade do que foi alcançado durante todo o ano de 2025 e superando o resultado de 2023. Tais números indicam uma trajetória promissora, com projeções para um novo recorde.
Desafios da Concentrada Exportação de Castanha com Casca
Embora o cenário de crescimento seja encorajador, existe uma preocupação com a concentração das exportações, onde 97% correspondem à castanha com casca, revelando uma baixa agregação de valor. A distribuição geográfica das exportações também é um fator relevante: a castanha com casca é predominantemente enviada ao Peru (90,5%) e à Bolívia (9,4%), enquanto a castanha sem casca é direcionada a mercados mais diversificados, incluindo os Estados Unidos (54,9%) e outros países da Europa, Ásia e Oriente Médio.
A Valorização dos Preços no Mercado Internacional em 2026
Os preços médios de exportação da castanha também apresentam uma variação significativa. Após um período de queda até 2023, observou-se uma forte recuperação a partir de 2024, com a castanha com casca passando de US$ 0,77/kg em 2023 para US$ 2,91/kg em 2026, o maior valor já registrado. A castanha sem casca, por sua vez, alcançou um preço recorde de US$ 14,30/kg, demonstrando uma valorização consistente que favorece tanto o produto in natura quanto o beneficiado.
Diferenças de Preço e Desafios para os Produtores
Comparando o preço médio da castanha exportada pelo Acre com o que é pago ao coletor, percebe-se uma disparidade significativa. Nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, a castanha com casca teve um preço médio de exportação de aproximadamente US$ 2,91/kg, enquanto o coletor associado, segundo a Cooperativa Agroextrativista de Xapuri, recebeu cerca de US$ 0,90/kg. Essa diferença, que ultrapassa três vezes o valor pago aos produtores, destaca desafios relacionados aos custos e etapas da cadeia produtiva, como logística, beneficiamento e comercialização internacional.
Uma Oportunidade para Aumentar a Renda dos Extrativistas
O momento favorável dos preços internacionais em 2026 oferece uma oportunidade valiosa para aumentar a renda dos extrativistas, desde que haja progresso na organização produtiva e na agregação de valor. É essencial que o cooperativismo seja fortalecido, promovendo a industrialização e a inserção direta em mercados externos. A valorização do produto e o aumento da renda dos produtores dependem, em grande parte, do fortalecimento das cooperativas e da busca por inovações no beneficiamento da castanha.
O Papel das Cooperativas na Economia do Acre
As exportações de castanha no início de 2026 consolidam o novo cooperativismo agroextrativista como um eixo fundamental da economia da floresta no Acre, com as cooperativas desempenhando um papel crucial ao organizar a produção e conectar os extrativistas aos mercados. No entanto, a diferença entre o preço de exportação e o valor pago ao coletor indica que a maior parte do valor da produção ainda está sendo apropriada fora da base produtiva. Assim, o desafio central do cooperativismo vai além de simplesmente aumentar o volume de exportações, mas inclui a necessidade de avançar na agregação de valor, especialmente através do beneficiamento da castanha e na inserção em mercados mais exigentes.
O ciclo de alta das exportações em 2026 reforça a urgência de consolidar o cooperativismo como um mecanismo de desenvolvimento, incrementando não apenas as exportações, mas, mais importante, a renda dos que estão na base da floresta.
