Estratégias para Impulsionar o Consumo de Carnes Vegetais
O mercado brasileiro de carnes vegetais, que hoje movimenta mais de R$ 1,1 bilhão anualmente, tem mostrado um crescimento significativo nas prateleiras do varejo. Impulsionada pela inovação de startups e pela atuação de grandes empresas alimentícias, essa categoria tem ganhado cada vez mais visibilidade. Contudo, ainda enfrenta obstáculos para se tornar um hábito de consumo em massa, especialmente em aspectos culturais e estratégicos.
Nesse contexto, o Good Food Institute Brasil (GFI Brasil), em parceria com a Consumoteca, apresenta o estudo intitulado “Estratégias para Destravar o Mercado Brasileiro de Carnes Vegetais”. O objetivo é reposicionar essas opções alimentares junto aos consumidores, propondo diretrizes que integrem saúde, prazer, conveniência e relevância cultural, para fomentar uma conexão mais profunda com a alimentação cotidiana do brasileiro.
A pesquisa examina a relação dos consumidores com a comida e mapeia as principais barreiras que dificultam a expansão das carnes vegetais, fornecendo orientações práticas para empresas, investidores e responsáveis por políticas públicas. Segundo Camila Lupetti, especialista em inteligência de mercado do GFI Brasil, “o mercado de carnes vegetais no Brasil está em uma fase de ajuste, onde é preciso ir além do entusiasmo inicial e conquistar um espaço real na alimentação diária”.
O cenário atual demanda uma mudança no foco das empresas, passando de lançamentos incessantes para um reposicionamento que enfatize a clareza na proposta e a construção de relevância cultural. “Innovar foi apenas o primeiro passo; agora, a narrativa é fundamental para transformar a experimentação em consumo habitual”, enfatiza Lupetti.
Desafios para a Consolidação das Carnes Vegetais
De acordo com o GFI Brasil, as carnes vegetais já possuem atributos que atendem às expectativas dos consumidores contemporâneos, como leveza, digestibilidade e praticidade, além da capacidade de substituir a carne vermelha sem abrir mão de pratos tradicionais. A saúde desponta como o principal motivador para o consumo, superando aspectos ambientais e éticos.
No entanto, a categoria ainda não conseguiu atingir equilíbrio em três pilares essenciais para o consumo em massa: sabor, preço e conveniência. “Se as carnes vegetais continuarem sendo vistas como uma alternativa apenas para quem não consome carne, seu crescimento será limitado”, observa a especialista.
Para avançar, o estudo recorre a comparações com outras categorias do mercado brasileiro que enfrentaram desafios semelhantes em suas fases iniciais, como as cervejas sem álcool e bebidas proteicas, que conseguiram superar barreiras culturais, altos preços e distribuição limitada para se consolidar. Analisando esses segmentos, o relatório destaca sete lições cruciais: enfrentar tensões culturais, comunicar claramente os benefícios, definir ocasiões específicas de consumo, investir em marketing e exposição, utilizar influenciadores para legitimar a categoria, focar em públicos mais abertos à experimentação e garantir uma distribuição ampla.
Construindo um Futuro Sustentável para as Carnes Vegetais
A partir do diagnóstico do mercado, o GFI Brasil desenhou um plano estratégico para impulsionar o crescimento das carnes vegetais no país. Esse plano enfatiza que o sucesso dessa categoria depende mais de construir uma conexão cultural forte e um desejo genuíno por parte dos consumidores do que de argumentos técnicos.
Os principais eixos do plano incluem o reposicionamento cultural, destacando os benefícios das carnes vegetais para todos, não apenas para veganos; inovação nos produtos e portfólio com preços competitivos; e uma comunicação focada no prazer, unindo saúde e gastronomia.
Adicionalmente, o projeto sugere uma identidade visual coerente e um marketing aspiracional que transmita desejo e modernidade, além da ampliação de visibilidade em pontos de venda, restaurantes e plataformas digitais, evitando que as carnes vegetais sejam vistas apenas como uma opção de nicho. É fundamental também definir ocasiões concretas de consumo que facilitem a inserção desses produtos na rotina alimentar dos brasileiros.
O plano ainda contempla a criação de um ecossistema de apoio e políticas públicas para incentivar investimentos em ciência, inovação e produção local, estabelecendo bases para um desenvolvimento sustentável da categoria.
Com estas diretrizes, o GFI Brasil tem utilizado o estudo como uma ferramenta estratégica de diálogo com o setor. A realização de apresentações para empresas do setor alimentício já está em andamento, aprofundando a discussão sobre a construção de categoria e como cada empresa pode aplicar esses aprendizados à sua realidade. “Para que essa categoria avance, é necessário que os benefícios discutidos se conectem ao cotidiano e às expectativas dos consumidores”, conclui Lupetti.
