Encontro para Fortalecer a Ética no Judiciário
A Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud) organizou um ciclo de palestras intitulado “Judiciário Contemporâneo: Humanização, Ética e Tecnologia na Prática”, realizado no Auditório do Fórum da Cidade da Justiça, em Cruzeiro do Sul. Este evento teve como objetivo principal aprimorar a qualidade institucional e atualizar os conhecimentos técnicos de magistrados, servidores e estagiários do Judiciário. O diretor do Órgão de Ensino, desembargador Luís Camolez, esteve presente e destacou a relevância da iniciativa.
O ciclo contou com a participação de renomados palestrantes, como a juíza Adamarcia Machado, o juiz Caíque Cirano e o servidor Cleomilton Filho, além da presença de diversos funcionários do Judiciário, que enriqueceram a programação.
A Importância da Humanização no Atendimento
A capacidade de oferecer um atendimento qualificado e humanizado foi um dos pontos centrais discutidos durante o evento. Com a crescente demanda e os desafios enfrentados na Justiça, é essencial que os profissionais adotem uma postura acolhedora em relação ao público. A integração de ferramentas tecnológicas deve ser realizada de forma consciente e eficiente, sempre respeitando os princípios éticos que regem a função pública.
Cleomilton Filho, em sua palestra, abordou a comunicação não violenta e diferentes técnicas de gestão de conflitos. Ele enfatizou a importância da escuta ativa e da empatia no contato com os jurisdicionados, além de discutir a acessibilidade e inclusão nas práticas de atendimento. Essa abordagem busca garantir que todos os cidadãos tenham suas vozes ouvidas e respeitadas no ambiente forense.
Ética e Responsabilidade no Serviço Público
A juíza Adamarcia Machado ministrou uma palestra com foco na ética, sigilo e responsabilidade no exercício da função pública. A magistrada, que também é diretora do Foro da Comarca de Cruzeiro do Sul, ressaltou a importância de manter altos padrões éticos no Judiciário e na administração pública como um todo. Durante sua apresentação, ela abordou questões de sigilo e a conduta dos servidores, enfatizando a necessidade de cuidados nas redes sociais e a preservação das informações processuais.
Adamarcia também apresentou boas práticas institucionais que visam fortalecer a cultura da integridade entre os profissionais do Judiciário, apontando que o zelo e o compromisso são fundamentais para construir um serviço público de qualidade.
Inteligência Artificial e Tecnologia no Judiciário
Outro destaque do ciclo de palestras foi a apresentação do juiz Caíque Cirano, que, mesmo à distância, conduziu um debate sobre o papel da Inteligência Artificial (IA) no Poder Judiciário. Ele discutiu tanto as oportunidades que essas tecnologias podem trazer quanto os limites éticos e legais que devem ser considerados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Cirano apresentou casos práticos de aplicação de IA no dia a dia forense, utilizando ferramentas digitais para elaboração de peças judiciais ao vivo. No entanto, ele também alertou para os riscos associados a erros de interpretação e plágios, ressaltando a importância de se garantir a segurança da informação e a imparcialidade nas decisões.
Reflexões sobre Empatia e Coexistência
O desembargador Luís Camolez, em sua fala, fez uma analogia com o filme “Dança com Lobos”, ressaltando a relevância da mensagem sobre preconceito e empatia. A obra, que conquistou sete Oscars, foi destacada por trazer à tona questões sobre a coexistência pacífica entre diferentes culturas, refletindo sobre a importância da humanização e da tolerância no contexto atual.
Camolez enfatizou que, mesmo sendo um filme antigo, suas lições permanecem atuais e pertinentes para a formação de uma cultura mais ética e humana no Judiciário, convidando todos os participantes a refletirem sobre o papel de cada um na defesa dos direitos e no acolhimento ao próximo.
