Medidas Urgentes em Resposta às Inundações
No último domingo, dia 5 de abril, o governo do Acre oficializou a situação de emergência em seis municípios do interior, devido à cheia dos rios que já impacta mais de 40 mil cidadãos. O Decreto nº 11.865 foi assinado em resposta ao agravamento das inundações, ocasionadas pelas chuvas intensas das últimas semanas, afetando tanto áreas urbanas quanto rurais e ribeirinhas.
A declaração de emergência de nível II foi aplicada nos municípios de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro, localizados nas bacias dos rios Envira, Abunã, Purus e Tarauacá. Este fenômeno foi classificado como um desastre natural hidrológico, conforme as diretrizes da Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade).
Reunião Estratégica para Resposta à Crise
A decisão foi tomada durante uma reunião no Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), que abriga o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac). O encontro contou com a presença de representantes de diversas secretarias do estado, incluindo o secretário de Estado da Casa Civil, Jonathan Donadoni, e a chefe de Gabinete da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), Sandra Amorim, além de outros órgãos envolvidos na resposta ao desastre.
Informações técnicas apresentadas durante a reunião indicam que o volume de chuvas registrado no início de abril chegou a impressionantes 280 milímetros em algumas localidades. Os níveis dos principais rios ultrapassaram ou se aproximaram das marcas de transbordamento. Em Cruzeiro do Sul, por exemplo, o nível do rio atingiu 14,06 metros, enquanto em Feijó, o rio alcançou 12,34 metros.
Prioridade na Ação Governamental
O chefe de gabinete e representante da governadora Mailza Assis, Douglas Jonathan Santiago, enfatizou a importância da medida para acelerar a resposta do governo. “Estamos diante de um cenário que exige uma ação rápida e integrada. O decreto permite uma liberação mais ágil de recursos e assistência às famílias afetadas”, destacou, reforçando o compromisso em garantir a segurança e dignidade das pessoas atingidas.
A Defesa Civil do estado também ressaltou que, além dos municípios mencionados no decreto, outras áreas permanecem em alerta devido à contínua elevação dos rios. A situação é alarmante, com várias famílias desalojadas e danos significativos em infraestrutura, mobilidade e na agricultura de subsistência.
Monitoramento e Ações de Socorro
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Carlos Batista, destacou a intensificação do monitoramento das condições climáticas e do comportamento dos rios. “Estamos em alerta máximo e prontos para atender a população, se necessário, realizando evacuações para garantir a segurança de todos. A rápida elevação dos níveis dos rios é preocupante, dada a quantidade atípica de chuvas”, afirmou.
Com a assinatura do decreto, a Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do Estado do Acre (CEPDC) terá prioridade no atendimento por parte de órgãos públicos, podendo mobilizar recursos e coordenar ações emergenciais, incluindo a instalação de abrigos e fornecimento de insumos.
Apoio aos Povos Indígenas e Comunidades Vulneráveis
A secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara, mencionou que a situação nas aldeias ainda é controlável. “Temos atuado continuamente em apoio aos povos indígenas, monitorando as necessidades, especialmente nas regiões de Feijó e Tarauacá”, disse. A secretária também enfatizou que o governo está preparado para oferecer suporte durante a cheia.
O decreto também autoriza, em situações de risco iminente, a entrada forçada em propriedades para o resgate de pessoas, assegurando indenização em casos de danos. O comandante do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Charles Santos, mencionou que a corporação está atuando em todas as cidades do Acre, em colaboração com as prefeituras e a Defesa Civil, para fornecer assistência eficaz.
Impactos e Previsões Futuras
O decreto terá validade de 180 dias, reforçando a colaboração entre o Estado, os municípios e o governo federal para minimizar os efeitos das cheias. A previsão de chuvas acima da média nos próximos dias mantém o estado de alerta, com o risco de novas elevações nos níveis dos rios.
Os dados sobre os níveis dos rios nas cidades afetadas são alarmantes. No dia 5 de abril, os níveis estavam assim:
- Tarauacá: 7,26m (Cota de transbordamento: 9,50m)
- Feijó: 12,10m (Cota de transbordamento: 12m)
- Rodrigues Alves: acima de 14m (Cota de transbordamento: 13,50m)
- Cruzeiro do Sul: 14,07m (Cota de transbordamento: 13,0m)
- Mâncio Lima: 6,24m (Cota de transbordamento: 6,20m)
