Iniciativa em Economia Solidária
O governo do Estado, através da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), tem ampliado as ações do projeto Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas, que visa a conservação da flora nativa, restauração ambiental e a geração de renda para agricultores familiares. Até o momento, mais de R$ 3 milhões foram direcionados ao projeto, aplicados em diversas ações voltadas ao fortalecimento da sociobiodiversidade gaúcha.
O balanço apresentado em março revela avanços significativos: foram restauradas 300 nascentes desde 2017, implantados 170 hectares de sistemas agroflorestais, distribuídas 3,9 mil mudas de espécies nativas e frutíferas, além de realizadas 70 capacitações para a comunidade local. A iniciativa também incluiu a entrega de sementes e a instalação de caixas de melíponas, que potencializam a produção associada à polinização por abelhas nativas sem ferrão.
Com financiamento proveniente de empresas privadas atuantes no Estado, essa iniciativa é sustentada pela Reposição Florestal Obrigatória (RFO), uma política pública estadual que exige compensação ambiental em casos de supressão de vegetação nativa para a instalação de empreendimentos, conforme a Instrução Normativa Sema 01/2018.
Sobre a Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas
A Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas é sustentada por uma rede social composta por 12 unidades comunitárias, 60 unidades familiares e 23 famílias individuais, que participam das fases de coleta, produção, processamento e comercialização. Um aspecto crucial desse projeto é a Dinâmica de Resgate, Multiplicação e Distribuição de Material Genético, que já mapeou 138 matrizes de 35 espécies nativas e estabeleceu 20 viveiros artesanais em cinco regiões do Estado.
“Por meio da combinação entre produção sustentável, geração de renda, restauração ecológica e fortalecimento comunitário, a Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas se afirma como um modelo de desenvolvimento capaz de transformar territórios, ampliar oportunidades para agricultores familiares e valorizar a biodiversidade gaúcha”, afirma Marjorie Kauffmann, titular da Sema.
Para os consumidores, essa evolução no fortalecimento produtivo traz a vantagem de ter acesso a alimentos de origem sustentável, que não apenas preservam a biodiversidade, mas também promovem relações de cooperação entre as comunidades. Além disso, várias frutas nativas, anteriormente pouco conhecidas, estão ganhando destaque no mercado. Entre essas estão a guabiroba, uvaia, araçá, jabuticaba, cereja-do-mato, butiá, goiaba-serrana, açaí-juçara e pinhão, todas com potencial gastronômico e ecológico bastante significativo.
