Estudo Revela Impactos Econômicos do Carnaval no Acre
O Carnaval vai muito além de fantasia e desfile de blocos. No Acre, essa festa pode se transformar em um motor econômico capaz de movimentar milhões de reais, gerar empregos temporários, aquecer o comércio local e impulsionar o turismo. Essas constatações são fruto do estudo intitulado “Economia do Carnaval no Acre”, lançado em fevereiro de 2024 pelo Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre.
A pesquisa, que entrevistou 500 pessoas em Rio Branco entre os dias 8 e 14 de janeiro, obteve um nível de confiança de 95%, com margem de erro de 4,38%. Os dados revelam que cerca de 30,2% da população com idades entre 15 e 59 anos está disposta a participar das festividades, o que equivale a aproximadamente 73 mil foliões na capital.
Mais do que um simples interesse, cada participante pretende gastar, em média, R$ 134,74 por dia, considerando despesas com transporte, alimentação, bebidas, cuidados pessoais e outros custos relacionados às festas. Com a maioria dos foliões planejando participar por três dias, o impacto econômico direto torna-se bastante significativo.
Movimentação Econômica Estimada Entre R$ 14 e R$ 22 Milhões
Utilizando simulações estatísticas através do método de Monte Carlo, o estudo aponta que, durante os três dias de festividades, a movimentação econômica pode variar entre R$ 14,81 milhões e R$ 22,22 milhões, sendo este último o cenário mais provável. Em um espectro mais amplo, os gastos poderiam oscilar entre um pessimista R$ 1,66 milhão e um otimista R$ 35,24 milhões.
Esses números mostram que o Carnaval no Acre pode ir além de ser apenas um feriado prolongado e se afirmar como uma estratégia econômica robusta. Isso se dá mesmo ao se considerar apenas o consumo direto, sem contar toda a cadeia produtiva que envolve o evento.
Perfil do Folião: Jovens com Ensino Médio e Renda de Dois Salários
O estudo também traçou um perfil detalhado dos foliões de Rio Branco. Com uma idade média de 26 anos, a maioria dos participantes é solteira (86%). Mais de 90% possuem pelo menos o ensino médio completo, enquanto a renda média mensal gira em torno de dois salários mínimos.
Além disso, a pesquisa identificou um significativo público disposto a gastar mais com as festividades, mas que se sente carente em suas necessidades. Aproximadamente 19,5 mil foliões indicaram que suas expectativas não são totalmente atendidas. Outros 40 mil afirmaram que suas necessidades são atendidas apenas parcialmente, evidenciando um mercado potencial de quase 60 mil pessoas com demanda reprimida.
Oportunidades para Pequenos Negócios e o Setor de Turismo
Os dados sugerem que pelo menos 14 mil pessoas estão dispostas a pagar cerca de R$ 65 por ingresso para eventos privados, enquanto cerca de 19 mil planejam participar de eventos públicos e privados. Isso abre um leque de oportunidades para vendedores ambulantes, bares, restaurantes, hotéis, transporte por aplicativos, segurança privada e serviços voltados ao público infantil.
Ademais, há um espaço considerável para promover o turismo regional, atraindo visitantes de Rondônia e fomentando o intercâmbio entre os municípios. O estudo aponta que, quanto maior a oferta e a qualidade dos serviços, maior a disposição do consumidor em gastar. Assim, um planejamento adequado e uma maior profissionalização podem ampliar significativamente o impacto econômico da festividade.
Precisamos de uma Abordagem Mais Estruturada
O relatório conclui que o Acre ainda necessita de uma abordagem econômica mais robusta na organização do carnaval. A falta de uma parceria público-privada mais efetiva limita o potencial da festa como uma atividade econômica contínua. Entre as sugestões apresentadas estão a criação de um comitê estadual voltado para a economia da cultura, políticas de incentivo ao setor privado, a inclusão do carnaval no calendário turístico e a realização de pesquisas contínuas para avaliar impactos e resolver eventuais gargalos.
