Crescimento Econômico do Acre no Segundo Trimestre
A economia do Acre registrou expansão de 1,5% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). Apesar do avanço, esse desempenho indica uma desaceleração em comparação ao ritmo observado nos últimos anos. No primeiro semestre, o Produto Interno Bruto (PIB) acreano cresceu 2,6%, abaixo da média anual de 3,2% registrada no biênio 2024-2025.
Comparação com a Região Norte e o País
A análise de Juliana Trece e Claudio Monteiro Considera mostra que, apesar da desaceleração, o Acre manteve um crescimento superior ao da Região Norte, cuja economia avançou apenas 0,2% no segundo trimestre. O resultado estadual também superou o desempenho de Amazonas, Pará e Tocantins, mas ficou aquém do crescimento nacional, que foi de 2% no período.
Dentro da Região Norte, o Acre ficou atrás apenas de Rondônia, que cresceu 2,9%, e Amapá, com 1,8%. Roraima teve expansão de 1,4%, enquanto Tocantins avançou apenas 0,1%. Amazonas e Pará registraram retrações de 0,8% e 0,2%, respectivamente. Assim, o Acre alcançou o terceiro maior crescimento regional no segundo trimestre, 1,3 ponto percentual acima da média local, apesar de estar 0,5 ponto percentual abaixo da média nacional.
Setores que Impulsionam e Limitam o Crescimento
O setor de serviços foi o principal motor do crescimento acreano no período, enquanto a agropecuária e a indústria tiveram contribuições negativas para o PIB estadual. Esse padrão também foi observado em Roraima, Amapá e Tocantins. Já em Rondônia, a agropecuária foi a maior responsável pelo avanço, impulsionada pela produção de bovinos, milho, soja e café.
O estudo da FGV evidencia que o crescimento econômico na Amazônia não acontece de forma uniforme. Enquanto algumas unidades federativas dependem mais da indústria e da produção agropecuária, outras encontram no setor de serviços a principal base para o desenvolvimento econômico.
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Desaceleração no Primeiro Semestre e Liderança Regional
O avanço de 1,5% no segundo trimestre ocorreu em um cenário de perda de velocidade econômica no Acre. A média anual de crescimento de 3,2% em 2024 e 2025 foi superior ao aumento de 2,6% registrado no primeiro semestre de 2026, indicando uma desaceleração de 0,6 ponto percentual.
No entanto, o desempenho do Acre no semestre foi um dos melhores da Região Norte, empatando com o Amapá, ambos com crescimento de 2,6%. Rondônia ficou logo atrás, com 2,5%, seguida por Roraima, que cresceu 1,9%. A Região Norte como um todo cresceu apenas 0,6% no período.
A diferença entre o Acre e a média regional chegou a 2 pontos percentuais no acumulado do semestre, mostrando que o estado manteve um desempenho positivo mesmo diante da retração em importantes centros econômicos da Amazônia.
Desafios na Indústria e Agropecuária Regional
O Pará, que apresentou crescimento médio anual de 3,8% no biênio 2024-2025, avançou apenas 0,3% no primeiro semestre de 2026. Tocantins reduziu seu ritmo de 3,9% para 0,2%, enquanto o Amazonas enfrentou retração de 0,6%, após crescimento médio de 2,6% nos dois anos anteriores. Roraima também desacelerou, passando de 3% para 1,9%. Rondônia diminuiu seu ritmo de 3,4% para 2,5%, e Amapá de 4,1% para 2,6%.
Essa desaceleração generalizada entre os estados da Região Norte está ligada principalmente às dificuldades enfrentadas por Amazonas e Pará, que juntos representam mais de 60% do PIB regional. No Amazonas, a queda foi puxada pela indústria de transformação, especialmente na fabricação de equipamentos eletrônicos e máquinas. No Pará, a redução da atividade extrativa mineral, resultado de uma diminuição programada da produção da Vale, comprometeu o crescimento.
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Perspectivas para o Resto de 2026
A indústria regional registrou queda de 1,3% no segundo trimestre, enquanto o setor industrial brasileiro cresceu 1,5%. Esse contraste ajuda a explicar o quase estagnação da economia da Região Norte, apesar dos resultados positivos em cinco dos sete estados.
Para o restante de 2026, a FGV projeta crescimento de 1,9% para o PIB brasileiro, em um cenário marcado por juros altos, endividamento das famílias, riscos de pressão inflacionária e incertezas eleitorais. A possível alta nos preços do petróleo e dos alimentos também preocupa. Além disso, impactos climáticos ligados ao fenômeno El Niño podem pressionar a inflação e afetar a redução das taxas de juros.
Leitura Atualizada das Economias Regionais
O estudo integra um projeto experimental do Núcleo de Contas Nacionais da FGV IBRE, iniciado em 2025, que acompanha trimestralmente o desempenho das economias estaduais. As estimativas são baseadas em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Empresa de Pesquisa Energética, Agência Nacional do Petróleo, DataSUS e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais.
Embora ainda não correspondam às Contas Regionais definitivas do IBGE, esses números oferecem uma visão mais atualizada da atividade econômica dos estados.
Limites do Crescimento Acreano
O Acre continuou crescendo acima da média da Região Norte e dividiu a liderança do primeiro semestre com o Amapá, ambos com expansão de 2,6%. Porém, a desaceleração em relação ao biênio anterior e a dependência do setor de serviços para sustentar o crescimento indicam limites diante do cenário de desaceleração econômica regional.
