Revisitação da Importância Histórica
Localizado no coração de Rio Branco, o Palácio da Justiça do Acre se apresenta como um marco significativo da história judicial do estado. Este espaço, onde inumeráveis decisões judiciais foram proferidas, é o tema central do documentário produzido por Manoela Brandolim e João Batista, estudantes do sexto período do curso de bacharelado em História. O filme foi apresentado na mostra Acre em Cena, no dia 25 de outubro.
O documentário narra a trajetória do Palácio da Justiça, desde sua construção, no final da década de 1950, quando o Acre ainda era um Território Federal, até seu tombamento como patrimônio histórico e cultural em 2002. Em 1963, com a transformação do Acre em estado, o prédio passou a ser a sede do Poder Judiciário estadual.
Com um design neoclássico, a construção do edifício é um símbolo de solidez, ordem e imparcialidade, refletindo a intenção de reforçar a autoridade da Justiça. Ao lado do Palácio Rio Branco, o Palácio da Justiça é um dos raros exemplos dessa arquitetura no Acre.
Centro Cultural e Acervo Histórico
Atualmente, o local serve como um centro cultural, abrigando um vasto acervo que inclui documentos, decisões históricas, togas e outros artefatos significativos. Dentre as obras, destaca-se um belo painel de marchetaria, famosa técnica de incrustação de madeiras, criada pelo artista Maqueson Pereira e exposta no auditório do prédio.
A produtora do documentário, Manoela Brandolim, compartilhou os bastidores da criação da obra. “A ideia do filme surgiu durante a nossa disciplina sobre Patrimônio, ministrada pelo professor João Pacheco, que propôs realizarmos um minidocumentário. João Batista sugeriu o Palácio da Justiça, que despertou meu interesse”, explicou.
Durante o processo de produção, a estudante fez diversas descobertas. “É claro que esse lugar é um pedaço da história acreana. Ele representa o início do Judiciário no estado, algo que muitos não conhecem”, enfatizou.
Aprendizados e Superações
Manoela destacou a importância do material histórico, como fotos e documentos que podem ser encontrados no próprio Palácio e na página de memória do TJAC, que foram essenciais para a realização do documentário. O apoio da coordenação do professor Pacheco, assim como de amigos e familiares, também foi fundamental. “Foi um trabalho colaborativo incrível. O resultado só foi possível devido ao esforço de todos os envolvidos”, afirmou.
Para João Batista, coprodutor do filme, a conclusão do projeto é um marco de superação pessoal e aprendizado. “Ser autista trouxe desafios, e essa experiência me permitiu um contato direto com um ambiente histórico muito importante. Aprendi que aquele espaço no centro da cidade foi onde tudo começou para o Judiciário acreano”, afirmou.
Iniciativa Educacional e Cultural
A mostra de minidocumentários foi idealizada pelo professor João Pacheco, coordenador do curso de História, em parceria com a Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O professor Pacheco destacou a proposta do projeto, que visa integrar ensino, pesquisa e extensão, pilares fundamentais da universidade pública.
Durante os quatro meses de produção, os alunos demonstraram comprometimento e curiosidade. O documentário sobre o Palácio da Justiça, segundo Pacheco, traz uma cronologia rica sobre a história desse importante patrimônio acreano, recheado de memória e significado para a população. O filme estará disponível em breve no canal do Iphan no YouTube, tornando-se mais uma forma de preservar e divulgar a história do Acre.
