Operação da Polícia Federal e o Caso Velloso
A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação para investigar possíveis desvios de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares do tipo Pix, enviadas pelo deputado federal Eduardo Velloso (União-AC) a uma prefeitura no Acre. O parlamentar está entre os alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos durante a investigação, que tem como foco o uso indevido dos fundos públicos.
Segundo a PF, Velloso destinou R$ 912 mil em emendas à prefeitura de Sena Madureira, com a intenção de financiar shows realizados em setembro de 2024. As investigações indicam que parte desses recursos pode ter sido desviada através de irregularidades em contratos firmados com as empresas responsáveis pelos eventos. Os investigadores estão apurando a veracidade das informações e buscando esclarecer como os valores foram realmente utilizados.
Mandados de busca e apreensão
A operação, que foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), teve como objetivo cumprir 14 mandados de busca e apreensão em várias localidades, abrangendo endereços no Acre e no Distrito Federal. Entre os locais estavam residências e estabelecimentos ligados a indivíduos e empresas que, supostamente, estariam envolvidos no esquema de desvio. A ação é parte de um esforço mais amplo para investigar irregularidades envolvendo parlamentares com foro privilegiado.
Os principais pontos da investigação incluem a verificação da destinação final dos valores transferidos e a identificação de fraudes em processos licitatórios. Além disso, a PF busca mapear o papel de intermediários e empresas que foram contratadas pela prefeitura para a realização dos eventos.
Entenda as emendas Pix
As emendas do tipo Pix, formalmente conhecidas como transferências especiais, permitem que recursos do orçamento federal sejam repassados diretamente para Estados e municípios. Esse processo dispensaria a necessidade de convênios ou planos detalhados de aplicação antes do repasse. Entretanto, a legislação estabelece que esses valores devem ser utilizados somente para despesas de interesse público, com supervisão rigorosa por órgãos de controle.
Em nota, a Polícia Federal ressaltou que os envolvidos no caso poderão responder por crimes como fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, dependendo do desdobramento das investigações.
Defesa do deputado Velloso
Em resposta às acusações, o deputado Eduardo Velloso publicou um vídeo em suas redes sociais onde refuta qualquer irregularidade. Ele argumenta que as emendas parlamentares foram utilizadas de maneira legal e que os valores repassados à prefeitura tinham como finalidade promover eventos culturais e incentivar o turismo na região. Velloso enfatiza que a execução dos contratos era de responsabilidade do município.
No vídeo, o deputado também expressou confiança na Justiça e reafirmou sua disposição para colaborar com as autoridades, embora tenha destacado que ainda não teve acesso completo ao conteúdo da investigação. Essa situação levanta questões importantes sobre a transparência no uso de recursos públicos e a responsabilidade dos parlamentares em assegurar que as verbas sejam aplicadas em benefício da população.
