Cenário Atual do Setor de Construção
No contexto da Feira Internacional da Indústria da Construção (FEICON), que se aproxima, o setor de construção civil se vê em um momento de acomodação e evidentes restrições financeiras. Com a taxa de juros ainda em um nível elevado e investimentos se tornando mais seletivos, a pressão para tomar decisões eficientes se intensifica. Nesse sentido, é necessário identificar com precisão onde estão as oportunidades e qual é o potencial econômico de cada projeto.
Recentemente, dados do setor sinalizam um movimento de estabilização, após um período de retração nas comparações interanuais. O Indicador Público, divulgado em 11 de março de 2026 pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT), revela que os primeiros índices de 2026 já apontam sinais de acomodação no mercado, o que pode indicar uma gradual retomada ao longo do ano.
Expectativas para o Setor
“Ainda enfrentamos desafios, com a taxa de juros elevada impactando os investimentos no setor da construção. Entretanto, já notamos sinais de estabilização do faturamento e a expectativa é que a redução gradual da Selic ao longo do ano favoreça uma recuperação progressiva”, explica Paulo Engler, presidente-executivo da ABRAMAT.
Ainda assim, a entidade destaca que, apesar da expectativa de melhora, o ambiente econômico ainda requer cautela. Entre os principais fatores de risco estão as incertezas internacionais, que abrangem tensões geopolíticas que afetam os preços das commodities, como o petróleo, influenciando a inflação, os custos e a atividade econômica global.
Dentro do Brasil, a manutenção de juros altos é um dos principais obstáculos para novos investimentos, especialmente em projetos maiores. No entanto, mesmo nesse contexto desafiador, indicadores recentes mostram que a atividade na construção civil se distribui em diversas frentes.
Movimentação do Setor de Obras
Segundo um levantamento do indicador StartObras, foram registradas 28.972 obras iniciadas em janeiro de 2026, abrangendo diferentes tipologias, incluindo edificações residenciais, não residenciais, galpões e reformas. No acumulado dos últimos 12 meses, o volume ultrapassa 490 mil obras em andamento, considerando apenas construções e reformas residenciais e comerciais de todos os portes, evidenciando uma base ativa relevante no setor.
Além da quantidade de obras, a análise do volume físico dos projetos permite uma leitura mais abrangente do potencial econômico associado à atividade. Somente em janeiro de 2026, as obras iniciadas totalizaram mais de 18 milhões de metros quadrados, o que amplia a compreensão sobre o potencial de consumo ligado a cada obra.
Inteligência de Mercado e Estratégia Comercial
A análise da metragem torna-se crucial para entender a demanda por insumos, materiais e serviços, oferecendo uma visão precisa do potencial de consumo a cada obra. Em um cenário onde as empresas operam com orçamentos restritos, essa abordagem se torna ainda mais relevante para direcionar os esforços comerciais com maior precisão.
Especialistas da Hoff Analytics, responsável pelo desenvolvimento do StartObras em parceria com a ABRAMAT, destacam que a identificação das obras, o porte dos projetos e seus respectivos estágios são pontos cada vez mais relevantes na tomada de decisão. A leitura estruturada dessas informações não apenas auxilia no acompanhamento do mercado, mas também permite priorizar regiões, tipologias e perfis de obra com maior potencial de geração de negócios.
Embora o setor possua uma grande quantidade de dados disponíveis, a transformação dessas informações em inteligência prática ainda representa um desafio para muitas empresas. A Hoff Analytics afirma que a FEICON ocorre em um momento oportuno, onde a discussão sobre eficiência, direcionamento comercial e uso estratégico de dados ganha destaque, atendendo à crescente necessidade das empresas de atuarem com precisão em um ambiente que, apesar de sinais de estabilização, ainda apresenta desafios econômicos significativos.
