Fatores que Influenciam a Economia
No segundo trimestre de 2025, o agronegócio, que havia sido um dos protagonistas do PIB no início do ano, apresentou uma redução de 0,1% em sua variação, como revelou o dado divulgado nesta terça-feira. Essa diminuição é atribuída a fatores sazonais, especialmente em decorrência do término do impacto das safras de milho e soja.
Apesar disso, o setor continua a desempenhar um papel relevante na economia ao longo do ano, com uma perspectiva otimista em relação ao seu desempenho. “Na comparação interanual, a agropecuária registrou um crescimento aproximado de 10% no segundo trimestre. Existe uma dinâmica robusta no setor, impulsionada pela safra recorde de grãos, que se mostrou um grande aliado do PIB total na primeira metade de 2025”, analisa Rodolfo Margato, economista da XP.
Consumo Governamental em Queda
Outro aspecto que merece atenção é o consumo do governo, que apresentou uma queda de 0,6% no segundo trimestre. Este indicador reflete as despesas realizadas pela administração pública para a aquisição de bens e serviços. Segundo Rafael Perez, economista da Suno Research, “a retração pode ser explicada pela desaceleração dos gastos na primeira metade do ano, o que foi influenciado pela aprovação tardia do orçamento em abril, além do efeito calendário dos precatórios, que estão concentrados no terceiro trimestre, e um ritmo mais lento na expansão dos benefícios sociais”.
Perspectivas para o Futuro
A análise do desempenho econômico desse período sugere que a desaceleração das atividades econômicas deve continuar de forma gradual nos próximos meses. “Os resultados do PIB do segundo trimestre confirmam nosso cenário de desaceleração da atividade doméstica ao longo de 2025, alinhando-se ao aperto nas condições monetárias… as atividades que dependem mais do crédito estão diminuindo”, comenta Margato.
Após a divulgação desse dado, o Ministério da Fazenda anunciou que a projeção de crescimento da economia brasileira para 2025 agora apresenta um leve viés de baixa, resultado da desaceleração mais pronunciada observada no segundo trimestre. O governo federal ainda estima um PIB com crescimento de 2,5% para este ano.
“O contexto geral reforça a tendência de desaceleração econômica nos trimestres seguintes. A política monetária restritiva deve exercer um impacto maior na segunda metade do ano, enquanto o endividamento elevado das famílias, as incertezas fiscais e as turbulências externas podem adicionar riscos significativos”, conclui Perez.
