Gestão Pública e Segurança em Debate
A presidente do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre), Sula Ximenes, fez uma declaração pública nesta quarta-feira (11) repudiando a invasão do canteiro de obras da Casa do Agricultor, localizada em Sena Madureira. O episódio envolve o prefeito local, Gerlen Diniz, o senador e pré-candidato ao governo do Estado, Alan Rick, e a pré-candidata ao Senado, Mara Rocha. Segundo a presidente, os três invadiram o espaço sem autorização para realizar gravações que visam a promoção política para as eleições de 2026.
Ximenes argumenta que a entrada no canteiro não apenas desrespeitou a continuidade das obras em andamento, mas também expôs os envolvidos a riscos desnecessários, ressaltando que o local não estava liberado para uso público. Essa situação gerou repercussão em Sena Madureira, especialmente diante da declaração do governo do Estado, que insistiu na necessidade de respeitar o andamento da obra.
Violação do Princípio da Impessoalidade
No comunicado, Sula Ximenes enfatiza que a ação dos políticos extrapolou os limites da política e feriu princípios fundamentais da administração pública. Ela citou o artigo 37 da Constituição Federal, que aborda o princípio da impessoalidade na gestão pública. “É inaceitável que se utilize de uma obra pública para fins eleitorais, colocando em risco a integridade das pessoas presentes,” declarou a gestora.
Além da questão legal, Sula Ximenes expressou preocupação com a segurança dos participantes, afirmando que a entrada intempestiva no canteiro de obras expôs os envolvidos aos perigos típicos do local. No comunicado, ela destacou: “A ação foi realizada sem qualquer orientação ou equipamento de proteção, colocando em risco a integridade física dos participantes.”
Ação Judicial em Vista
Em resposta ao ocorrido, Sula Ximenes anunciou que irá tomar medidas legais contra os envolvidos, garantindo que o Deracre adotará as providências jurídicas necessárias para lidar com a situação. O clima político em Sena Madureira se torna ainda mais tenso diante desse episódio, que deve ter desdobramentos relevantes nos próximos dias, especialmente considerando que os envolvidos são figuras chave no cenário eleitoral do Acre.
A nota completa de repúdio do Deracre reforça a posição do governo em relação ao uso indevido de obras públicas para fins eleitorais. A situação evidencia a necessidade de um debate mais amplo sobre a ética na política e a preservação das normas que regem a administração pública. A expectativa é que a ação judicial sirva não apenas para responsabilizar os envolvidos, mas também para desencadear uma reflexão sobre a responsabilidade que cabe a cada um na condução de assuntos públicos.
A presença de tais figuras na invasão de uma obra em andamento levanta questões sobre o comportamento e a responsabilidade de líderes políticos, especialmente em um período que já se antecipa intenso na corrida eleitoral. O desfecho desse caso pode servir como um divisor de águas na postura política de Sena Madureira e do Acre como um todo.
