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    Família do Crime da Motosserra clama por Justiça após 27 anos de dor no Acre

    Família do Crime da Motosserra clama por Justiça após 27 anos de dor no Acre

    Acre 18/01/2026
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    Demandando Justiça e Dignidade

    “O Acre mudou, mas nós, nunca”. Essa é a forte declaração de Emanuela Firmino, que, quase 30 anos após o brutal assassinato de seu pai, Agilson Firmino dos Santos, e de seu irmão, Wilder Firmino dos Santos, ainda vive com as marcas profundas deixadas pelo chamado ‘Crime da Motosserra’ ocorrido em 1996, em Rio Branco. A dor que acompanha a família Firmino é um lembrete constante de que a página do sofrimento permanece virada. Recentemente, o Ministério Público do Acre (MP-AC) moveu uma ação contra o governo estadual, solicitando indenização milionária e pensão vitalícia para os parentes das vítimas, alegando que o Estado falhou em proteger os direitos humanos básicos que deveriam ser garantidos ao cidadão.

    A ação judicial, que ainda aguarda análise da Justiça local, argumenta que a omissão do governo frente às atrocidades cometidas por agentes públicos foi crucial para o prolongamento do sofrimento dos familiares. A expectativa de reparação se torna ainda mais urgente, uma vez que a vida da viúva, Evanilda Lima de Oliveira, e de seus filhos foi drasticamente alterada. ‘Fomos obrigados a abandonar nosso lar, levando apenas as roupas do corpo e sem chance de nos despedir deles. Nem um enterro digno teve nosso pai’, relembra Emanuela, em carta escrita com dor e esperança.

    Consequências e Luta por Reparação

    O MP, em sua ação, menciona que os deslocamentos forçados da família e a ausência de medidas efetivas de reparação contribuíram para a deterioração da saúde emocional de todos os envolvidos, incluindo Evanilda, que enfrenta desafios de saúde que a obrigam a depender de cuidados constantes. ‘Ver minha mãe sofrer é um constante lembrete da brutalidade que vivemos’, diz Emanuela. O pedido de indenização consiste em R$ 1 milhão por danos à família e R$ 1 milhão em danos morais coletivos, além da solicitação de uma pensão mensal vitalícia de um salário mínimo para os sobreviventes.

    Os crimes, segundo a denúncia, foram perpetrados por um grupo de extermínio sob o comando do ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, com a participação de policiais civis e militares. A violência do caso foi tamanha que as investigações revelaram que Hildebrando e seus associados utilizaram a estrutura estatal para cometer atrocidades, levando à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e à cassação de seu mandato. O MP destaca que a responsabilização penal dos envolvidos não é suficiente para reparar os danos enfrentados pela família. ‘As sequelas emocionais e psicológicas para todos nós são permanentes’, ressalta Emanuela.

    A Indignação e o Chamado à Justiça

    No decorrer da ação, o MP enfatiza a gravidade dos crimes cometidos e a omissão do Estado em garantir reparações adequadas. A proposta de uma pensão especial para a viúva e seus filhos foi apresentada ao governo em 2015, mas não prosperou. A falta de respostas concretas levou o MP a buscar uma solução judicial, ressaltando que a luta por justiça é, acima de tudo, um clamor por dignidade. ‘Essa indenização não trará meus pais de volta, mas permitirá que minha mãe viva com dignidade’, enfatiza Emanuela. A situação dela e de sua família serve como um alerta sobre a importância de enfrentarmos as graves violações de direitos humanos e a responsabilidade do Estado em repará-las. O crime que impactou a história do Acre não deve ser esquecido, e a luta por justiça deve continuar.

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