Aumento de Casos de SRAG no Acre
Novos dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam um crescimento alarmante nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Acre. O boletim InfoGripe, publicado na última quinta-feira (9), faz uma análise detalhada da situação durante a Semana Epidemiológica 13, que abrange o período de 29 de março a 4 de abril de 2024. O levantamento indica um aumento significativo nos registros de SRAG nas últimas seis semanas, gerando preocupação entre as autoridades de saúde.
Além do Acre, outros 12 estados estão na lista de alerta, apresentando níveis de atividade classificados como risco ou alto risco. Os estados afetados incluem o Pará e o Tocantins no Norte, além de Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia no Nordeste. No Centro-Oeste, Mato Grosso e Goiás também estão na lista, assim como Minas Gerais e Espírito Santo no Sudeste.
Vulnerabilidades e Grupos de Risco
Segundo a análise da Fiocruz, as últimas quatro semanas epidemiológicas mostraram que a maior parte dos casos positivos de SRAG se concentra em grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos, além de pessoas com comorbidades. Profissionais de saúde estão entre os mais expostos, resultando em um cenário preocupante de infecções respiratórias.
Os dados sobre a prevalência de diferentes vírus respiratórios são reveladores. Entre os casos notificados, a Influenza A se destacou com 30,7% dos resultados positivos, seguida pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) com 19,9%, e o Rinovírus, que representa 40,8% dos casos. A Covid-19, por sua vez, corresponde a 6,2% dos casos identificados até agora.
Notificações e Expectativas
O boletim também informa que, em 2024, o Acre já notificou 31.768 casos de SRAG. Deste total, 13.205 apresentaram resultado positivo para algum vírus respiratório, enquanto 12.678 testes resultaram negativos e cerca de 3.527 ainda aguardavam resultados laboratoriais. A situação exige atenção redobrada das autoridades de saúde e da população.
Atuação da Fiocruz e Recomendações de Saúde
A Fiocruz alertou que as crianças pequenas são as mais afetadas pela SRAG, especialmente em relação ao VSR e ao rinovírus. A mortalidade, por sua vez, mostra altos índices entre os idosos, predominantemente devido à Influenza A e à Covid-19. A pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, enfatiza que a vacina da influenza é fundamental para prevenir casos graves e óbitos relacionados ao vírus.
“Recomendamos que as pessoas que apresentem sintomas de gripe ou resfriado fiquem em casa em isolamento. Caso isso não seja viável, o uso de uma máscara adequada é essencial”, alertou.
A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) também divulgou informações importantes. Entre a primeira semana epidemiológica, iniciada em 4 de janeiro, até a semana 11, que terminou em 21 de março, foram registradas 4.173 consultas referentes a síndromes gripais. Até esse momento, 17 mortes foram confirmadas em decorrência dessas síndromes.
Prevenções e Cuidados Recomendados
Para reduzir os riscos de infecções respiratórias, algumas medidas são fundamentais:
- Mantenha a vacinação em dia, principalmente contra a gripe e o pneumococo, disponível para crianças a partir de 6 meses em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs);
- Adote uma alimentação saudável, evitando açúcares e alimentos ultraprocessados, priorizando frutas e fibras;
- Realize a higienização das vias aéreas, como lavagem nasal e uso de aerossóis;
- Evite contato com pessoas gripadas e não leve crianças doentes à escola;
- Mantenha acompanhamento pediátrico regular para garantir a saúde das crianças.
Durante o inverno amazônico, o aumento de síndromes gripais é comum. Elas podem ser divididas em três grupos principais:
- Resfriado comum: Coriza, congestão nasal, tosse leve e ausência de febre alta.
- Gripe: Febre alta, dores musculares, mal-estar intenso e tosse persistente.
- SRAG/pneumonia: Febre prolongada, falta de ar, dor no peito, chiado e tosse com secreção. Em casos graves, apresentam-se sinais como retração do tórax e batimentos respiratórios acelerados.
