Comunidades que Preservam a Floresta
No estado do Acre, a Floresta Amazônica é mais do que um bioma; é o lar de diversos povos indígenas e comunidades tradicionais que estão na vanguarda do movimento de conservação. Estes grupos estão implementando projetos inovadores que não apenas protegem a floresta, mas também influenciam a forma como os recursos destinados ao financiamento climático são utilizados, garantindo que as vozes de extrativistas e educadores sejam ouvidas em sua busca por soluções sustentáveis.
O cenário se desenrola na Floresta Extrativista Chico Mendes, uma homenagem ao renomado ambientalista que perdeu a vida em 1988, e onde o diálogo participativo é fundamental. Grupos locais têm a palavra na definição de como os recursos devem ser aplicados para a proteção da floresta, cultivando um modelo de financiamento climático que atende às exigências da biodiversidade e da justiça social.
Documentário do Pnud Revela Realidades
Recentemente, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) lançou um documentário que destaca as vozes dos habitantes da floresta, trazendo à tona suas histórias, desafios e esperanças. Este projeto é uma vitrine do cotidiano de povos indígenas, agricultores e extrativistas, todos dedicados à preservação da Amazônia para as futuras gerações.
No Acre, a abordagem da gestão ambiental é pautada pelo diálogo com as comunidades locais. Um exemplo disso é a atualização da repartição de benefícios do programa ISA Carbono, inserido no Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (SISA), que foi definida através de um processo participativo. As consultas públicas ocorreram em municípios como Brasiléia, Cruzeiro do Sul e Rio Branco, envolvendo os diversos grupos comunitários. Para as comunidades, a presença ativa é imprescindível para assegurar que os projetos atendam às necessidades genuínas dos seus territórios.
A Ameaça da Destruição Florestal
A Reserva Extrativista Chico Mendes, localizada em Xapuri e estabelecida em 1990 sob a administração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, é um exemplo de como a conexão entre conservação ambiental e justiça social pode ser mantida. Com mais de 970 mil hectares protegidos, a reserva é um bastião da luta ambiental.
Raimundo Mendes, uma liderança extrativista, expressa preocupação com as mudanças climáticas, incluindo a redução das chuvas e o aumento das temperaturas. Ele alerta que a destruição das florestas pelo ser humano representa uma ameaça a toda a vida. Para garantir mudanças duradouras, Mendes defende a importância do envolvimento da população na construção de propostas e soluções coletivas, perpetuando a luta de Chico Mendes por um futuro mais sustentável.
Empoderamento das Mulheres na Conservação
Na Reserva Extrativista Rio do Liberdade, em Cruzeiro do Sul, a liderança comunitária é exemplificada por Renilda Santana, que equilibra sua vida no campo com a defesa dos direitos das mulheres. Como membro do Conselho Deliberativo da reserva e da Associação Feminina Força da Mulher Rural do Rio Liberdade, ela enfatiza a importância de atender às necessidades das comunidades locais em relação à biodiversidade. Segundo Renilda, “o mercado é a floresta”, defendendo um desenvolvimento baseado no uso sustentável dos recursos naturais.
Educação e Preservação Territorial
Na aldeia indígena Nova Morada, em Feijó, a Escola Tekahayne Shanenawa desempenha um papel crucial na preservação cultural e ambiental. A professora Andréia Shanenawa salienta a importância da terra, da água e da floresta. Ela afirma que “ser guardiã da floresta é uma responsabilidade que deve ser passada às novas gerações” para que possam manter seus territórios em meio a um mundo em rápida transformação.
A diretora da escola, Edileuda Shanenawa, ressalta a relevância das consultas públicas. Para ela, a escuta das comunidades é essencial para evitar a imposição de decisões externas. Uma colaboradora da escola acrescenta que “existir é para resistir”, reforçando a defesa de diálogos participativos que envolvem autenticamente a população local.
Construindo Políticas Participativas
Para as comunidades do Acre, a participação ativa é crucial na formulação de políticas eficazes. Nos fóruns participativos, reitera-se a ideia de que a população deve ter voz na construção do seu futuro e no legado para as próximas gerações. Jaksilande Araújo, presidente do Instituto de Mudanças Climáticas do Acre, destaca que o governo estadual realizou consultas em todas as regiões do estado, garantindo que agricultores, povos indígenas e extrativistas tivessem voz nas decisões.
Esses fóruns levaram à definição de novos critérios para a distribuição justa dos benefícios do programa ISA Carbono, com percentuais estabelecidos para grupos como extrativistas (26%), pequenos e médios agricultores (24%), povos indígenas (22%) e o governo (28%). Este acordo é visto como um pacto histórico que une comunidades e autoridades, reafirmando o Acre como um modelo global na Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+ Jurisdicional).
