Cobertura do 5G no Acre
Mais de três anos após a ativação do 5G no Brasil, a realidade no Acre é preocupante: apenas 47,5% da população tem acesso a essa tecnologia, segundo dados da Anatel. O estado, que conta com apenas três operadoras de telefonia, ainda apresenta um cenário limitado, com cobertura disponível em apenas sete dos 22 municípios. Este panorama coloca o Acre abaixo da média nacional, que atualmente é de 65% da população com acesso à rede 5G, superando a meta de 57,6% estabelecida para 2027. A cobertura domiciliar no Brasil é ainda mais expressiva, alcançando 67,3% dos lares.
A capital, Rio Branco, é onde a cobertura é mais significativa, atingindo 88% dos moradores. Brasiléia e Manoel Urbano, por sua vez, apresentam índices um pouco acima de 50% de acesso. Contudo, a situação é alarmante em muitos outros municípios, que não conseguem atingir nem 30% de cobertura.
Confira os números das principais cidades acreanas:
- Rio Branco: 87,82%
- Brasiléia: 50,75%
- Manoel Urbano: 50,51%
- Assis Brasil: 41,04%
- Feijó: 39,44%
- Cruzeiro do Sul: 28,04%
- Demais Municípios: 0,00%
Antenização e Desafios no Acre
Outro aspecto que reforça a precariedade da situação é o número de antenas instaladas. Com apenas 185 antenas, o Acre possui o menor número do país, seguido de Roraima, que conta com 198. Essa escassez de infraestrutura é um dos principais obstáculos para a expansão do 5G na região, conforme aponta o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Conexis Brasil).
A comparação com o 4G é inevitável, uma vez que este último levou a uma transformação significativa na forma como nos conectamos. Segundo Wilson Cardoso, especialista do Instituto dos Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e diretor de soluções da Nokia na América Latina, o 5G promete uma revolução ainda maior. Ele destaca que, enquanto o 4G possibilitou o surgimento de aplicativos de mobilidade como o Uber, a nova tecnologia abrirá portas para inovações como carros autônomos e operações de telemedicina, que exigem uma rede mais rápida e confiável.
“A velocidade e a latência do 5G são fundamentais para garantir a segurança em situações críticas, como, por exemplo, em veículos autônomos, que precisam de respostas instantâneas para evitar acidentes”, explica Cardoso.
Entendendo as Faixas do 5G
As operações do 5G são realizadas em diversas faixas de frequência, que podem ser comparadas a rodovias aéreas por onde passam os dados. No Brasil, foram leiloadas quatro bandas: 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. As faixas de 3,5 GHz são essenciais para conexões rápidas em longas distâncias, enquanto a faixa milimétrica de 26 GHz é projetada para aplicações que demandam tempos de resposta extremamente baixos, embora exija um maior número de antenas devido ao seu alcance limitado.
A instalação dessas antenas enfrenta desafios significativos, uma vez que as regulamentações variam conforme cada município. A Lei das Antenas, sancionada em 2015, foi instituída para simplificar esse processo. Um decreto de 2020 introduziu o chamado silêncio positivo, permitindo a instalação caso não haja objeções em 60 dias, desde que os pedidos estejam de acordo com a legislação vigente.
À medida que o Acre enfrenta esses desafios, a expectativa é que, com medidas adequadas e investimentos certos, a cobertura 5G se expanda, promovendo avanços significativos na conectividade e no desenvolvimento tecnológico da região.
