Acusados de Chacina no Acre Vão a Júri Popular
Após mais de dois anos de investigações, os réus envolvidos na chacina que resultou na morte de cinco pessoas no bairro Taquari, em Rio Branco, estão prestes a enfrentar um júri popular. O juiz Fábio Alexandre Costa de Farias concluiu que há provas suficientes para que os acusados sejam julgados, conforme decisão proferida recentemente.
No fatídico dia 3 de novembro de 2023, uma residência na Rua Morada do Sol se transformou em cena de um crime brutal, cuja motivação, segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), está ligada à disputa entre facções criminosas pela dominância territorial na capital acreana.
Os principais acusados são: Davidesson da Silva Oliveira, conhecido como Escopetinha; Denilson Araújo da Silva, ou Jabá; Tony da Costa Matos, apelidado de Tony Barroca; e José Weverton Nascimento da Rosa, chamado de Raridade. José Weverton, vale destacar, também ficou ferido durante o ataque, o que levanta questões sobre seu papel no crime.
Com a pronúncia, a Justiça estabeleceu um prazo para que as defesas dos réus e o Ministério Público do Acre (MP-AC) se manifestem. O advogado Thalles Damasceno, que representa José Weverton e Davidesson, afirmou que já protocolou um recurso contra a decisão da Justiça e que planeja pedir a soltura dos clientes. Em suas palavras, “José Weverton foi atingido por uma bala cuja origem ainda é desconhecida, enquanto se dirigia à casa de sua ex-namorada e acabou se aproximando do local onde ocorreram os disparos”. Damasceno ainda mencionou a intenção de solicitar um habeas corpus para revogar a prisão do acusado.
Mandantes e Desdobramentos do Caso
Os outros dois réus, Wellington Costa Batista, conhecido como Nego Bala, e Ronivaldo da Silva Gomes, conhecido como Roni, estão em situações diferentes. Wellington, apontado como o mandante da chacina, viu seu processo ser desmembrado e teve recurso negado em uma instância anterior. A defesa alegou que as provas contra ele, que se baseiam principalmente no depoimento de um adolescente, eram insuficientes e questionáveis.
Ronivaldo, por sua vez, está foragido e teve seu nome incluído na lista vermelha dos procurados pelo Brasil, indicando a gravidade de sua situação. A prisão preventiva dele foi decretada em novembro de 2025, e há registros de condenações anteriores que somam mais de 30 anos de pena.
Contexto da Chacina e Investigação
O massacre em Taquari, que chocou a sociedade acreana, foi atribuído à crescente guerra entre facções que disputam o controle do tráfico de drogas na região. O coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Alcino Júnior, ressaltou que uma das vítimas era parente de um dos detentos que perderam a vida em uma rebelião no presídio de Segurança Máxima Antônio Amaro, em julho de 2023. Esses detalhes levantam a hipótese de que as execuções podem ter sido premeditadas como parte de um conflito mais amplo.
De acordo com os documentos do processo, Davidesson é acusado de dois homicídios qualificados, enquanto Denilson, Tony e José Weverton enfrentam acusações de seis homicídios qualificados cada um, além de envolvimento com organizações criminosas. O Ministério Público está atuando de forma firme para garantir que os responsáveis sejam levados à Justiça, refletindo a necessidade de um sistema judiciário eficiente e resolutivo.
Com as audiências em andamento e o júri a caminho, a população aguarda ansiosamente por justiça, em um caso que demonstra as complexas relações de poder entre facções e sua influência direta na segurança pública no Acre. O desfecho deste caso pode não apenas fornecer resposta às famílias das vítimas, mas também contribuir para discussões mais amplas sobre segurança e criminalidade na região.
