Desdobramentos do Caso Master colocam governo Lula em xeque
Em um cenário político marcado por tensões intensas, a situação se complica à medida que diferentes Poderes se acusam mutuamente em busca de culpados e omissões. O caso do banco Master, envolto em investigações caóticas e segredos não revelados, promete deixar consequências sérias em todos os setores da política. A extensão do problema e a demora para contê-lo são frutos de ações coletivas, que, evidentemente, deixarão rastros de danos e descontentamento.
No centro dessa tempestade, o governo de Lula parece se perder entre a arrogância e a ingenuidade, na esperança de escapar ileso dos ataques. A narrativa que circula na Esplanada — que o presidente ordenou uma apuração completa e sem empecilhos, “duela a quem duela” — entra em conflito com a realidade. Entre os envolvidos nas investigações, figura alguém muito próximo a Lula: seu filho, Fabio Luis Lula da Silva, o conhecido Lulinha. Sua presença em meio a um escândalo faz o desgaste do PT se intensificar, especialmente entre uma parte do eleitorado que já demonstrou cansaço em relação a escândalos anteriores.
Além disso, a complexidade de uma fraude financeira elaborada faz com que a percepção pública recaia sobre o governo como um todo. Conversas informais, como as com motoristas de aplicativo, revelam uma opinião clara: o caso Master não é um problema isolado, mas sim uma situação que recai sobre Lula e sua administração. Os erros cometidos e as tentativas de desviar o foco podem se transformar em um tiro pela culatra, semelhante ao fiasco de algumas festas de carnaval, que mal conseguem reunir os ânimos positivos do povo.
As graves implicações do caso também envolvem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que naturalmente causa uma associação imediata entre os escândalos e o governo. O raciocínio predominante — compartilhado por diversos ministros que se mostram preocupados com a situação — é que os mesmos que condenaram Jair Bolsonaro em escândalos passados agora estão profundamente envolvidos na questão do Master, tentando proteger suas posições a todo custo.
Ignorar essas conexões, ainda que sejam simplificações, é desconsiderar a lógica da polarização que se firmou no Brasil desde 2018. Neste ambiente, a narrativa muitas vezes precede os fatos, substituindo-os em seu valor real.
Os caminhos a seguir nessa crise são incertos, pois as investigações sobre quem possibilitou a ascensão do Master e a lenta liquidação do banco ainda estão apenas no início. Com a criação de pelo menos duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado se envolvendo nas investigações, cada qual movido por interesses que nem sempre visam o bem público, é certo que todos acabarão por arcar com as consequências.
A pressão é evidente, especialmente para figuras chave como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Conhecido por seu estilo centralizador e zeloso em relação ao controle da Casa, ele se vê agora lidando com uma série de problemas que se multiplicaram rapidamente.
Por enquanto, a percepção errônea de que existem dois escândalos separados — o do Master e o do INSS — tem fortalecido a posição de Flávio Bolsonaro como um adversário a ser considerado por Lula. Contudo, a dúvida persiste: até quando essa dinâmica permanecerá? Tanto o Planalto quanto o PT admitem que sua estratégia de deixar Flávio agir sem contestação pode ter sido um grande erro, na expectativa de neutralizá-lo apenas quando as campanhas começassem.
Com a revelação de conexões comprometedores que envolvem rachadinhas e compras milionárias em dinheiro vivo, será apenas uma questão de tempo até que aliados próximos de Flávio comecem a ser associados à fraude do Master, ampliando ainda mais os desafios que o governo enfrenta.
