Reflexão sobre Moradia Digna
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou, em Rio Branco, a Campanha da Fraternidade 2026, que aborda a desigualdade social com o tema ‘Fraternidade e Moradia’ e o lema ‘Ele veio morar entre nós’. O evento ocorreu na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, no centro de Rio Branco, nesta quarta-feira (18).
Segundo a Igreja Católica, a campanha visa promover uma reflexão profunda sobre o direito à moradia digna, reconhecida como essencial para todos os indivíduos e um compromisso tanto de fé quanto de cidadania. O bispo da Diocese de Rio Branco, Dom Joaquín Pertiñez, ressaltou que a campanha, tradicionalmente realizada há mais de seis décadas durante a Quaresma, deve abranger pautas comunitárias e sociais que ressoem ao longo do ano.
Dom Joaquín enfatizou que a campanha propõe um chamado à consciência sobre a presença de Deus na vida cotidiana, especialmente entre aqueles que enfrentam a falta de habitação adequada. “No Brasil, 6,2 milhões de famílias não têm moradia apropriada, e cerca de 328 mil pessoas estão vivendo nas ruas. Para a Campanha, a casa representa o ponto de partida para a conquista de outros direitos fundamentais. Sem uma moradia digna, a segurança, a saúde, a educação e a dignidade ficam comprometidas”, detalhou.
O foco principal da Campanha da Fraternidade 2026 é mobilizar tanto a Igreja quanto a sociedade em geral para o déficit habitacional que assola o país. Além disso, a campanha busca fomentar ações, debates e iniciativas que garantam o acesso à moradia, à terra e ao trabalho, considerados direitos fundamentais.
O texto base da Campanha delineia seis objetivos específicos que guiarão suas ações. Entre eles, está a análise da moradia precária, que é constantemente normalizada, culpabilizando os mais pobres e segregando milhões de brasileiros. A campanha também se propõe a identificar as omissões do poder público e da sociedade civil na luta pela universalização do direito à moradia e à cidade.
Outros objetivos incluem a conscientização, fundamentada na Palavra de Deus e no Ensino Social da Igreja, sobre a necessidade sagrada de teto, terra e trabalho para todos; a correção da visão da moradia como mera mercadoria, passível de especulação e mérito individual; e o fortalecimento da presença da Igreja junto aos mais carentes, em parceria com movimentos e organizações populares que promovem o acesso à moradia.
Por fim, a campanha incentiva um empenho ativo para a efetivação de leis e políticas públicas que garantam soluções habitacionais em todas as esferas sociais e políticas. É um alerta para a necessidade urgente de uma resposta coletiva e transformadora frente à crise habitacional no Brasil.
