Desvio de Medicamentos Sob Investigação
A Polícia Civil do Acre apreendeu, no último sábado (10), uma caminhonete e celulares em uma residência localizada no bairro Chico Mendes, em Rio Branco. A suspeita é que o veículo tenha sido utilizado para o transporte de medicamentos e insumos hospitalares desviados da rede pública de saúde, conforme informações divulgadas pela corporação. O dono da caminhonete, que presta serviços à Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), ainda não teve sua identidade confirmada, ficando subentendido se ele ocupa um cargo público ou é um funcionário terceirizado. O g1 já entrou em contato com o delegado Igor Brito e aguarda um retorno sobre o caso.
A investigação, que se estende por cerca de dois meses, revela que o esquema de desvio de remédios pode ter se iniciado no começo de 2023. A polícia busca descobrir se há participação de servidores da saúde pública e para onde os medicamentos desviados estavam sendo enviados. Os materiais apreendidos passarão por perícia para identificação de mais evidências que vinculem os envolvidos ao esquema criminoso.
Prisão de Suspeito e Materiais Apreendidos
No dia 5 de janeiro, um idoso de 74 anos foi detido em uma residência onde se encontravam diversas caixas de medicamentos que haviam sido retirados ilegalmente de unidades de saúde. Após a prisão, ele foi liberado na terça-feira (6) e agora aguarda o desenrolar das investigações monitorado por uma tornozeleira eletrônica. A polícia apurou que, na residência do idoso, localizada no Residencial Bom Sucesso, foram apreendidos mais de R$ 20 mil em dinheiro, além de dólares e outros tipos de moeda. A esposa do suspeito também foi levada para a delegacia para prestar esclarecimentos sobre a situação.
Ainda sobre a investigação, a Polícia Civil não revelou muitos detalhes da busca na casa do servidor público. No entanto, confirmaram que foram encontrados indícios de irregularidade nos aparelhos telefônicos dos suspeitos, que trazem evidências sobre o desvio dos medicamentos.
Colaboração da Sesacre
A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) emitiu uma nota afirmando que está colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Civil. O órgão destacou que tem disponibilizado todas as informações solicitadas para auxiliar na apuração dos desvios. Em relação à operação, um mandado de busca e apreensão foi cumprido no bairro Chico Mendes, onde a caminhonete foi encontrada.
Farmácia Ilegal e Apreensões
Investigando ainda mais a fundo, equipes do Departamento de Polícia Civil da Capital e do Interior (DPCI) localizaram uma farmácia clandestina. No dia 5 de janeiro, durante uma operação em uma casa no Beco da Glória, encontraram uma significativa quantidade de medicinas, incluindo tratamentos contra câncer, hemodiálise e outros insumos hospitalares, como gazes e luvas. O delegado Igor Brito afirmou que o valor total dos medicamentos apreendidos pode ultrapassar a casa de um milhão de reais. Ele mencionou que a polícia está comprometida em continuar as investigações e diligências necessárias para desmantelar o esquema criminoso.
De acordo com a Sesacre, há indícios de que os medicamentos desviados têm origem no Pronto-Socorro, na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). O delegado geral, José Henrique Maciel, ressaltou que a quantidade de medicamentos apreendidos é significativa, indicando um esquema organizado.
Impactos dos Desvios
O secretário Pedro Pascoal da Sesacre declarou que os desvios de medicamentos e insumos afetaram diretamente o atendimento à população, visto que as aquisições planejadas pela Secretaria não estavam se concretizando. Segundo ele, essa situação gerou um alerta que motivou o início das investigações. A polícia acredita que a operação pode revelar informações valiosas sobre a extensão do esquema, que pode envolver ainda unidades de saúde do interior do estado.
Neste momento, os investigadores estão catalogando os medicamentos apreendidos e analisando as suas origens. Eles têm como objetivo identificar se os medicamentos desviados foram comercializados e quem seriam os possíveis compradores. O delegado Maciel apontou a complexidade da investigação, que envolve múltiplos fatores e diversas pessoas já na linha de investigação.
