Culturas de Cacau e Cupuaçu: Um Futuro Promissor
A produção de cacau e cupuaçu tem se afirmado como uma alternativa viável para aumentar a renda de agricultores familiares no Acre, ao mesmo tempo em que promove a sustentabilidade ambiental. Essas culturas, presentes em diversas regiões do estado, são parte integrante das estratégias de diversificação produtiva adotadas na agricultura local.
No intuito de impulsionar essa atividade, o governo acreano, através da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), está incentivando o cultivo do cacau em localidades diversas, como Alto Acre, Baixo Acre e Vale do Juruá, ao longo da BR-364. A meta é ampliar a produção e fortalecer toda a cadeia produtiva dessas culturas, que se mostram promissoras tanto em termos econômicos quanto ambientais.
Enfrentamento dos Desafios Fitossanitários
A expansão das lavouras de cacau e cupuaçu, no entanto, enfrenta desafios, especialmente com a ameaça da monilíase, uma doença devastadora para essas plantas. Essa praga é capaz de comprometer significativamente a produtividade e ameaça a cadeia produtiva, demandando a implementação de monitoramento constante e medidas de controle.
O Acre foi pioneiro no registro oficial da monilíase no Brasil, o que levou a um robusto reforço nas ações de vigilância fitossanitária e à adoção de estratégias emergenciais para conter a disseminação da doença.
O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) é responsável pela vigilância fitossanitária, promovendo ações de prevenção, fiscalização e orientação técnica para o manejo adequado da doença. Essas estratégias abrangem desde o acompanhamento das lavouras até a identificação precoce de focos de contaminação, passando pela orientação aos produtores sobre práticas de manejo eficazes.
Ações Práticas no Campo
Entre as iniciativas adotadas, estão as inspeções técnicas em propriedades rurais e a realização de podas sanitárias em plantas suspeitas de contaminação. Essa técnica consiste na remoção de ramos, folhas e frutos doentes, ajudando a reduzir a propagação do fungo responsável pela monilíase.
“Remover partes doentes das plantas é crucial para eliminar tecidos infectados que abrigam o fungo. Além disso, essa prática pode causar um atraso temporário na frutificação dessas plantas, o que diminui a quantidade de inóculo na área e, consequentemente, reduz a disseminação da doença”, explica Ramiro Albuquerque, coordenador do Programa Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação da Monilíase.
Números que Revelam a Situação
Dados recentes do Idaf indicam que o estado registrou 148 novos casos de monilíase em 2025. Nesse mesmo período, as equipes técnicas realizaram 4.639 podas sanitárias e coletaram 29.834 frutos contaminados para descarte adequado.
Uma barreira fitossanitária foi instalada na BR-364, no Posto de Fiscalização Agropecuária do Rio Liberdade, para monitorar o transporte de materiais vegetais e evitar a propagação da praga para áreas ainda livres da doença. Além disso, ações educativas são realizadas junto a produtores, estudantes e comunidades rurais, visando a identificação precoce de sintomas e a adoção de práticas preventivas.
Fortalecimento da Cadeia Produtiva
Em agosto de 2025, a Seagri firmou um acordo de cooperação técnica com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), vinculada ao Ministério da Agricultura. Esse convênio tem como propósito fortalecer a comercialização do cacau acreano, incluindo transferências de tecnologia, assistência técnica e acesso a material genético de qualidade, como sementes e mudas selecionadas.
Luís Tchê, então secretário de Agricultura, salientou que “as parcerias são fundamentais para o sucesso de projetos. A rota do cacau já se tornou uma realidade no Acre e, com o apoio da Ceplac, damos um passo importante para fortalecer técnicas de cultivo e capacitações.”
Além disso, o cultivo do cacau ajuda na recuperação de solos degradados por incêndios e desmatamento. No Acre, a produção abrange não apenas o plantio convencional, mas também o cultivo de cacau nativo na Terra Indígena Mamoadate, realizado pelas etnias Manchineri, Yaminawá e Mashco.
Com essas iniciativas, o Acre busca equilibrar o potencial produtivo do cacau e cupuaçu com a preservação ambiental e a geração de renda para as famílias agricultoras, mantendo-se ativo no combate aos desafios fitossanitários que ameaçam essas culturas.
