Balanço da Gestão Municipal
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), realizou uma avaliação de sua gestão em uma entrevista concedida ao G1 e à Rede Amazônica Acre. Durante a conversa, ele abordou importantes investimentos em infraestrutura, além dos desafios enfrentados nas áreas de abastecimento de água e transporte público. Bocalom ressaltou que, apesar das dificuldades, a administração municipal alcançou avanços significativos, como o fortalecimento da economia e a ampliação de serviços essenciais. O prefeito expressou confiança na continuidade do trabalho sob a liderança do vice-prefeito, Alysson Bestene, que assumirá o cargo após sua saída.
Bocalom deixa a prefeitura para candidatar-se ao governo do estado nas eleições de 2026. A sua renúncia foi oficializada em uma carta enviada à Câmara de Vereadores de Rio Branco no dia 26 de março, com efeitos a partir de 3 de abril. Essa decisão é parte da regra de desincompatibilização eleitoral, que exige que ocupantes de cargos públicos renunciem se desejam concorrer a novos mandatos.
“Dou dez para nossa gestão, pois realizamos muito mais do que administrações anteriores. Afirmaram que a prefeitura não tinha recursos para finalizar os serviços, mas nossa gestão provou que, quando se faz uma boa gestão financeira, é possível avançar bastante. Compramos máquinas, investimos no sistema de água e esgoto, construímos creches e reformamos mercados. Embora não tenhamos feito tudo, é importante lembrar que até Deus não consegue atender a todos os pedidos”, afirmou Bocalom.
Saneamento Básico em Rio Branco
Um dos pontos críticos abordados pelo prefeito foi o saneamento básico na capital acreana. Dados do Instituto Trata Brasil revelam que Rio Branco investiu apenas R$ 8,99 por habitante em março, um valor que deveria ser 25 vezes superior para atender às necessidades da população. Segundo essas informações, a cidade é a que menos investe em saneamento básico no Brasil. Porém, Bocalom contestou esses números, alegando que não refletem a realidade atual. “Esses dados são antigos. O que importa é a nossa realidade e estamos nos esforçando para aumentar o tratamento de esgoto sem recorrer à privatização”, comentou.
Desafios no Abastecimento de Água
Nos últimos anos, o sistema de abastecimento de água da capital enfrentou sérias dificuldades, chegando a colapsar em alguns períodos. Rio Branco é atendida por duas Estações de Tratamento de Água (ETA I e ETA II), sendo que a ETA I é responsável por 40% do abastecimento da cidade. Após o colapso da infraestrutura hídrica em 2025, o governo federal destinou mais de R$ 9,5 milhões para a aquisição de bombas. Em dezembro de 2024, R$ 17 milhões já haviam sido investidos na recuperação da ETA II, entretanto, a falta de água persiste em diversas áreas, onde moradores relatam semanas sem abastecimento.
Bocalom destacou que, até o momento, mais de R$ 220 milhões foram aplicados no sistema de água e esgoto de Rio Branco. “Há 23 anos, não eram adquiridas novas bombas. Nós adquirimos mais de 20. Estamos concentrando esforços nas estações que sofreram danos. Este ano foi peculiar, com a cheia do Rio Acre, o que afetou a qualidade da água. Isso é uma questão climática que foge ao nosso controle”, defendeu o prefeito.
Crise no Transporte Público
O transporte público em Rio Branco também enfrenta desafios há anos. Desde fevereiro de 2022, a operação ficou a cargo da Empresa Ricco Transportes e Turismo, que assumiu 31 das 42 linhas após a saída da Empresa Auto Viação Floresta. A prefeitura manteve o serviço através de contratos emergenciais renovados a cada seis meses. Após quatro anos, um edital para licitação foi finalmente lançado, que irá definir a nova empresa que operará o sistema de transporte coletivo nos próximos 10 anos, com um valor global estimado em mais de R$ 1 bilhão.
As empresas interessadas têm até 22 de abril para apresentar suas propostas. Questionado sobre a demora para o lançamento, Bocalom explicou que as mudanças nas regras de licitação facilitaram o atraso. “O processo levou tempo, pois a legislação precisou ser ajustada. A mudança de pagamento por passageiros transportados para pagamento por quilômetro rodado complicou o andamento”, completou o prefeito.
Perfil do Prefeito
Tião Bocalom, de 72 anos, natural de Bela Vista do Paraíso, no Paraná, já ocupou a prefeitura de Acrelândia em outros mandatos. Na capital, foi eleito pela primeira vez em 2020, derrotando a então prefeita Socorro Neri, e reeleito em 2024 com 54,82% dos votos válidos, tendo como vice Alysson Bestene.
