Primeira contratação nacional de baterias de grande escala no Acre
O governo brasileiro vai implementar, pela primeira vez em um leilão nacional, um sistema de baterias de 100 MW para estabilizar o fornecimento de energia em Cruzeiro do Sul e Feijó, no Acre, com previsão para 2027. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recomendou essa iniciativa como solução inédita para aumentar a confiabilidade do sistema elétrico nessas regiões.
O projeto consiste na implantação de um sistema de armazenamento de energia por baterias (BESS) com capacidade de 100 MW / 200 MWh, equipado com tecnologia grid-forming, além da expansão da infraestrutura de transmissão em 230 kV. A contratação está prevista no Lote 5 do Leilão de Transmissão nº 01/2027, marcado para 30 de abril de 2027, representando um marco no setor elétrico nacional ao integrar o armazenamento por baterias no planejamento do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Tecnologia grid-forming e operação do sistema
O sistema será instalado na Subestação de Cruzeiro do Sul, no Acre, e as baterias terão capacidade para operar por duas horas em potência máxima. A inovação principal está na adoção de conversores grid-forming, que, ao contrário dos inversores convencionais, conseguem formar a rede elétrica ao estabelecer referências de tensão e frequência. Essa tecnologia oferece resposta praticamente instantânea em situações de contingência, garantindo maior estabilidade ao sistema.
Na prática, o empreendimento combinará armazenamento de energia com serviços de estabilização da rede, resposta rápida a falhas e suporte operacional ao sistema elétrico. Essa combinação é fundamental para uma região que ainda enfrenta limitações estruturais no fornecimento.
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Contratação e prazos do projeto
O contrato para o projeto terá duração de 18 anos, prazo alinhado à vida útil das baterias, e a implantação deverá ocorrer em até 36 meses após a assinatura. A instalação está prevista para a Subestação Cruzeiro do Sul, conectada ao setor de 69 kV, oferecendo suporte decisivo à rede local.
A decisão de adotar essa tecnologia responde às características do sistema elétrico local. Cruzeiro do Sul e Feijó foram recentemente integrados ao Sistema Interligado Nacional, mas ainda operam sob critério N, sem redundância suficiente para suportar contingências na transmissão. Segundo a EPE, o BESS apresentou a melhor relação técnico-econômica para garantir confiabilidade no atendimento da região.
Expansão da rede de transmissão no Acre
Além do armazenamento por baterias, está prevista a ampliação da rede de transmissão por meio da construção de novos circuitos em 230 kV entre Tucumã, Feijó e Cruzeiro do Sul. O Lote 4 do leilão prevê uma linha de transmissão de aproximadamente 376 quilômetros entre Tucumã e Feijó, e um segundo circuito entre Feijó e Cruzeiro do Sul, com cerca de 255 quilômetros.
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Fonte: belzontenews.com.br
Parte dessa expansão utilizará estruturas de circuito duplo já existentes, reduzindo o impacto ambiental e os riscos na implantação. Essa estratégia reforça o planejamento da infraestrutura elétrica, combinando o BESS como solução complementar à expansão tradicional da rede, aumentando a flexibilidade operacional e a capacidade de resposta a falhas.
Setor elétrico e o futuro do armazenamento
Matheus Teixeira, COO da VOLTXS Energia, destaca que essa iniciativa marca uma mudança na percepção do armazenamento por baterias no setor elétrico brasileiro. “O sistema de armazenamento em baterias está deixando de ser visto apenas como uma ferramenta de gestão energética para o consumidor e passa a integrar soluções voltadas à confiabilidade da infraestrutura de transmissão do Brasil”, afirma.
Segundo Teixeira, essa transformação evidencia o potencial da tecnologia para assumir múltiplas funções e impulsionar a evolução do setor elétrico nos próximos anos. O projeto no Acre pode abrir caminho para uma nova geração de investimentos em armazenamento no país, consolidando o papel do BESS no Sistema Interligado Nacional (SIN).
