Denúncias de Influenciadores Aceleram Abertura da CPMI
O deputado federal Carlos Jordy, vice-líder da oposição pelo PL do Rio de Janeiro, conversou com a CNN e destacou que as recentes denúncias feitas por influenciadores sobre abordagens de agências para promover publicações contrárias à liquidação do Banco Master pelo Banco Central são um fator crucial para a formação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Ele reiterou que, até o momento, o pedido de investigação já conta com 231 assinaturas, reunindo 34 senadores e 187 deputados que apoiam a iniciativa.
Jordy acredita que as alegações relacionadas aos influenciadores podem ser consideradas um fato concreto, o que facilita a instalação da comissão. A preocupação inicial era de que a proposta fosse negada pela liderança do Congresso sob a justificativa de ausência de um evento específico. “Essas denúncias são um novo e importante elemento que nos ajuda a seguir com as investigações e a garantir que o assunto não caia no esquecimento”, comentou o parlamentar, destacando que os influenciadores que trouxeram as denúncias poderão ser convocados a depor.
Influenciadores Revelam Abordagens
As denúncias foram inicialmente levantadas por Rony Gabriel, vereador de Erechim (RS) e influenciador, e pela jornalista Juliana Moreira Leite, ambos alinhados à direita. Rony, que possui cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram, e Juliana, com 1,4 milhão de fãs na mesma rede social, compartilharam informações relevantes sobre as abordagens que receberam.
De acordo com Jordy, “essas denúncias evidenciam a existência de uma força-tarefa por parte do grupo associado a Daniel Vorcaro, buscando influenciar a situação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e, possivelmente, tentar reverter a liquidação do banco ou contestar o processo no STF”. O vereador Rony Gabriel revelou que, no dia 20 de dezembro, foi contatado por um representante de uma empresa que buscava “gerenciar a reputação e a crise de um grande executivo”.
No diálogo, o representante da UNLTD Brasil mencionava a necessidade de contratar influenciadores que se posicionassem em favor da causa, afirmando que “é um caso de repercussão nacional, envolvendo pessoas influentes, tanto da esquerda quanto do centrão”. Além disso, para seguir com as tratativas, ele sugeriu a assinatura de um contrato de confidencialidade, com uma penalidade de R$ 800 mil em caso de quebra do sigilo.
Propostas Questionáveis em Foco
No documento acessado pela CNN, a proposta era intitulada “Projeto DV”, que, segundo o vereador, refere-se ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Rony comentou: “A proposta era para criar uma narrativa que apresentasse o Banco Master como uma vítima do Banco Central, alegando que a liquidação aconteceu de forma precipitada. Se ninguém falasse sobre isso, a investigação não progrediria”. Apesar de afirmar que a proposta envolvia cifras milionárias, ele garantiu que não chegou a discutir valores.
Juliana Moreira Leite corroborou as informações, revelando que também foi abordada pela empresa Portal Group BR com uma proposta semelhante. A CNN obteve gravações e prints que evidenciam a abordagem. Em um áudio, o representante da agência mencionava que tinha um cliente precisando de divulgação de matérias “no âmbito político e financeiro”. Ele ainda enviou um print de uma reportagem que indicava que “o TCU vê indícios de precipitação na liquidação e dá 72 horas para o BC se explicar”. O objetivo, segundo ele, seria propagar matérias desse tipo para alcançar um maior público.
“Eu não aceitei a proposta. Senti-me enojada. Contudo, percebi que muitas publicações similares estavam sendo realizadas, mas não posso afirmar se outros aceitaram receber pagamentos”, disse Juliana à CNN.
Resposta das Agências e das Instituições Financeiras
Procurada pela CNN, a UNLTD Brasil negou ter qualquer contrato com o Banco Master. Por sua vez, o Portal Group BR esclareceu que é uma agência contratada por outra empresa apenas para a indicação de influenciadores e que “nenhum dos influenciadores que representamos possui qualquer contrato ou obrigação relacionada ao escopo mencionado na matéria”.
A CNN Brasil também buscou o Banco Central e o Banco Master em busca de esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação deste artigo. Em nota, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) comunicou que, no final de dezembro, “foi identificado um volume atípico de menções à entidade e seus representantes, relacionado ao noticiário sobre a liquidação de uma instituição financeira”. A federação está avaliando se esse movimento pode caracterizar um eventual ataque coordenado e observou que, recentemente, houve uma significativa diminuição nesse volume de menções.
