Trabalhadores Enfrentam Crise Financeira
No interior do Acre, a situação dos trabalhadores terceirizados da educação tem gerado preocupações. Após ficarem dois meses sem receber os salários, muitos denunciam atrasos recorrentes nos pagamentos. A situação foi trazida à tona após contato do g1, resultando em declarações das empresas responsáveis pelos serviços.
Na última segunda-feira (2), um representante das empresas prestadoras de serviços, L.A. Soares e Suply Soluções em Tecnologia e Transporte LTDA, confirmou que os pagamentos foram efetuados. No entanto, trabalhadores que preferem não se identificar relataram que a realidade é de incertezas e dificuldades financeiras. Em uma conversa, um deles revelou que os atrasos de salários e a ausência do vale-refeição, que não era pago desde outubro, têm sido uma constante desde que começou a trabalhar, há pouco mais de um ano.
“Desde novembro não recebemos salário e a situação está complicada. Fico observando meus holerites e percebo que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também não está sendo depositado”, lamenta. Segundo ele, a situação financeira da família chegou a um ponto crítico, onde apenas a realização de ‘bicos’ o impediu de passar por dificuldades maiores.
Desafios Diários
Outro trabalhador comenta sobre os desafios diários enfrentados, ressaltando: “Estamos nos virando. Desde julho, quando fui transferido para buscar alunos à noite, tenho feito trabalhos extras durante o dia. Às vezes, meu filho pede algo e não consigo dar”. Essa realidade demonstra as consequências diretas dos atrasos para as famílias envolvidas.
O representante das empresas, também sem se identificar, explicou que os atrasos foram causados pelo fechamento do exercício financeiro no final do ano de 2025. “Quando chega nessa época, ocorrem questões relacionadas a verbas e empenhos, o que acaba atrasando os pagamentos. Contudo, já regularizamos os pagamentos referentes a novembro e dezembro”, garantiu.
Apesar de justificar a situação, ele nega que essa prática seja comum, afirmando que a empresa mantém os pagamentos em dia e possui relatórios que comprovam isso.
Historias de Resistência
Uma servidora terceirizada, que também preferiu manter o anonimato, confirmou que enfrentou uma situação semelhante, tendo que se recusar a aceitar a realidade do não pagamento. “O último pagamento que recebemos foi em 20 de novembro, incluindo apenas as duas parcelas do 13º, logo após o Natal. Aqui em casa, estamos todos tentando nos manter”, contou.
Ela descreveu que, em casos anteriores de atrasos, a pressão pública foi essencial para que a situação fosse resolvida. “Quando levávamos o assunto à rádio, rapidamente o dinheiro aparecia. Porém, quando falávamos com a administração sobre nossos problemas, éramos informados de que não havia como pagar e deveríamos ter paciência”, relembrou.
Nota da Secretaria de Educação
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre afirmou, em nota, que as empresas L.A. Soares e Suply Soluções em Tecnologia e Transporte LTDA estão com a documentação trabalhista regularizada e que, em caso de acordos privados entre terceiros, não há a participação da administração pública. O órgão destaca que a nota fiscal referente aos pagamentos de dezembro não foi protocolada a tempo, o que dificultou a inclusão na programação financeira do exercício, mas que a situação será regularizada no início do novo exercício financeiro de 2026.
Assim, continua a expectativa dos trabalhadores, que aguardam a regularização de seus direitos sem mais atrasos.
