Caso levanta questões sobre a qualidade do atendimento médico
Macileudo da Costa Lima, de 36 anos, passou por uma cirurgia de urgência em um hospital particular no dia 21, seis dias após o início das dores abdominais. Sua esposa, a professora Ádria Ernesto Tavares, de 37 anos, alega que houve negligência médica nas unidades de saúde pública onde Macileudo foi atendido. Segundo ela, o marido recebeu diagnósticos incorretos, inicialmente tratados como infecção de urina e prisões de ventre.
Em declarações à imprensa, Ádria afirmou que o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e no pronto-socorro não foi adequado e que a condição do esposo deveria ter sido reconhecida mais cedo. “Os médicos diziam que poderia ser apenas uma gastroenterite e que estava com gases. Sou professora e pesquiso muito, então, sabia que algo estava errado”, destacou.
Após várias consultas e exames, o diagnóstico correto de apendicite só foi confirmado quando o quadro se agravou. A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) declarou que o atendimento seguiu os protocolos médicos estabelecidos, mas anunciou a abertura de uma apuração interna para investigar as condutas dos profissionais envolvidos.
“O apêndice do meu esposo estourou e ninguém percebeu. Ele poderia ter morrido. Diante desses sintomas, era para ter sido encaminhado para um cirurgião e a situação poderia ter sido evitada”, lamentou Ádria.
O caso começou na sexta-feira, dia 16, quando Macileudo começou a sentir náuseas e dor abdominal. Ao buscar atendimento na UPA, ele foi liberado com a orientação de usar antibióticos, mas sua condição se agravou, levando sua esposa a procurá-lo novamente no pronto-socorro. Após várias horas de espera e novos exames, uma médica, ao olhar a tomografia, disse que ele estava apenas com muitos gases.
Mesmo com dores intensas, Macileudo ficou sob observação, mas foi liberado com medicamento. A persistência de Ádria em buscar ajuda médica foi fundamental; ela conseguiu uma consulta particular onde o novo médico detectou que o estômago do professor estava paralisado e a apendicite havia atingido um estágio crítico. A cirurgia foi realizada imediatamente, e o médico alertou que o estado do apêndice e o impacto no intestino eram graves.
A professora, que agora aguarda a recuperação do marido, pretende levar o caso ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e ao Ministério Público do Acre (MP-AC) para que medidas sejam tomadas em relação ao atendimento recebido. “A situação do meu marido é delicada, e estou concentrada na recuperação dele, sem esquecer da preocupação com nossas crianças, que sentiram muito a ausência dele”, concluiu.
O caso de Macileudo levanta questões sobre a qualidade do atendimento médico nas unidades públicas do Acre e o que pode ser feito para evitar que situações como essa se repitam. A Secretaria de Saúde afirma que, se forem encontradas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos.
