Gargalo Logístico nas Cidades do Alto Acre
A conclusão do anel viário que conecta Brasiléia e Epitaciolândia, na região do Alto Acre, permanece pendente e continua a ser um dos principais entraves para a logística de transporte de cargas destinadas à exportação pela trilha que liga Assis Brasil (Acre), Bolpebra (Bolívia) e Iñapari (Peru). O empresário Rafael Pimpão, representante da Micheport Andina Internacional Ltda, destacou a gravidade da situação ao relatar as dificuldades que os caminhões enfrentam na BR-317, via essencial para o escoamento da produção.
Natural de São Paulo, Pimpão chegou ao Acre em setembro de 2010 com o intuito de realizar um trabalho de transporte de máquinas e equipamentos pela Transoceânica. O sucesso dessa empreitada o fez permanecer na região, onde ele se estabeleceu profissionalmente.
O Potencial da Transoceânica
A Micheport já é parte de um consórcio de empresas que utilizam a rodovia que liga Assis Brasil ao Porto de Illo, no Peru. Desde a instalação de sua base operacional naquele município, a empresa movimentou milhões e tem planos de transportar mais de 600 máquinas para o Peru e Equador. Segundo Pimpão, a Transoceânica não é apenas uma rota de belíssimas paisagens. Antes da construção da estrada, a viagem do Rio de Janeiro até o Equador consumia cerca de vinte dias. Atualmente, esse tempo foi reduzido para doze dias, gerando economia tanto financeira quanto temporal.
Com a base operacional já estabelecida em Assis Brasil, a empresa vislumbra a abertura de uma filial no Acre. “Pela Transoceânica, conseguimos uma economia de até 17% no transporte dos equipamentos, sem contar a redução de quase uma semana na duração da viagem”, informou.
Ponte Metálica e seus Desafios
Recentemente, um vídeo que se espalhou pelas redes sociais ilustra a intensidade do tráfego de veículos na região e os desafios enfrentados diariamente pelas empresas que dependem da BR-317. O principal ponto crítico é a ponte Metálica José Augusto, que liga Brasiléia e Epitaciolândia, onde muitos veículos ficam parados por horas. “A estrutura atual não consegue suportar o aumento crescente do tráfego pesado. Motoristas são forçados a procurar rotas alternativas. A única opção viável é entrar na Bolívia para chegar a Brasiléia”, explicou Pimpão.
O empresário enfatiza que a falta de um contorno viário definitivo é o maior obstáculo, uma vez que o projeto visa desviar o tráfego pesado da área urbana dos dois municípios. “A falta da entrega do anel viário em Brasiléia e Epitaciolândia é o que está causando o gargalo logístico. Sem a conclusão da obra, a ponte existente não dá conta do fluxo intenso de caminhões”, afirmou.
Obra Estratégica para Integração Logística
O anel viário é considerado uma obra fundamental para a melhoria da logística na região. O projeto abrange aproximadamente 10,3 quilômetros de estrada contornando as duas cidades, além de uma ponte de cerca de 251 metros sobre o rio Acre, que permitirá desviar o tráfego de carga do centro urbano.
Com um investimento superior a R$ 60 milhões, financiado pelo governo federal através do DNIT, a obra foi planejada para otimizar o transporte de mercadorias pela Rodovia Interoceânica (BR-317), que conecta o Acre aos portos do Peru, no Pacífico, ampliando as oportunidades comerciais com mercados asiáticos.
Além de facilitar a logística internacional, o contorno viário tem como objetivo retirar os caminhões pesados do centro das cidades, que atualmente enfrentam um tráfego intenso. Estima-se que mais de 17 mil veículos circulem na região, impactando diretamente a mobilidade urbana e a infraestrutura local.
“A Transoceânica se tornou um novo polo de negócios no Brasil, e os empresários do Acre devem reconhecer essa nova realidade, onde o estado está no centro dessas grandes oportunidades comerciais”, concluiu Pimpão.
