Fortalecimento da Agricultura Familiar no Acre
Em um passo decisivo para o setor agrícola, o governador do Acre, Gladson Camelí, e a vice-governadora Mailza Assis, assinaram na última segunda-feira, 20, um edital que marca o início do Programa Estadual de Compras Governamentais da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Pecafes). A assinatura do edital, realizada na Sala de Governança da Secretaria de Planejamento (Seplan), se dá 69 dias após a regulamentação da Lei nº 4.516/2025, que institui este programa, e terá um investimento total de R$ 11 milhões, oriundos de recursos estaduais e do Fundo Agropecuário Estadual (Funagro).
A nova iniciativa visa facilitar o acesso de pequenos agricultores e viveiros ao mercado público, eliminando atravessadores e promovendo uma relação direta entre produtores rurais e o governo. O objetivo é assegurar que alimentos, sementes, mudas e insumos adquiridos no âmbito da agricultura familiar sejam preferencialmente oriundos de pequenos agricultores locais, gerando renda e promovendo a inclusão produtiva. No Acre, estima-se que cerca de 45 mil famílias dependem da agricultura familiar para sua subsistência.
Iniciativas e Impactos
Ainda no mês passado, a Secretaria de Agricultura do Acre (Seagri) abriu credenciamento para pessoas físicas e jurídicas que desejam produzir e fornecer mudas clonais de café, bem como mudas seminais e clonais de cacau. Este processo estabeleceu critérios claros e transparência, visando aumentar a participação dos pequenos produtores na cadeia produtiva.
Durante a cerimônia de assinatura, o governador Gladson Camelí reforçou a importância do fortalecimento da zona rural como uma prioridade de sua gestão, afirmando que “é com união que vencemos desafios”. Ele enfatizou que esta ação cumpre uma de suas promessas: valorizar a produção local para fomentar a economia do estado. “Estamos reduzindo barreiras e burocracias para que os produtores possam ampliar sua renda. Essa é uma forma de garantir inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável”, declarou.
Diálogo com os Produtores
A vice-governadora Mailza Assis também se pronunciou sobre a importância do programa. Para ela, o fortalecimento da agricultura familiar, especialmente da cafeicultura, é vital para o desenvolvimento econômico e social do Acre. “É imprescindível que possamos dialogar com os produtores e identificar onde podemos melhorar e incentivar ainda mais”, ressaltou, destacando que os investimentos já estão beneficiando milhares de famílias.
O secretário de Agricultura do Acre, José Luis Tchê, qualificou a assinatura do edital como um marco histórico para a agricultura familiar e a cadeia produtiva do café no estado. Ele parabenizou o governo e a Assembleia Legislativa pela aprovação do edital, que permitirá a compra de mudas diretamente dos viveiristas, garantindo assim a qualidade do produto, uma vez que os viveiristas conhecem de perto as necessidades dos produtores rurais.
Perspectivas Futuras
O presidente da Coopercafé, Jonas Lima, destacou a relevância do edital para os agricultores familiares, prevendo que em breve a cooperativa contará com quase 300 famílias envolvidas na produção de café. Ele ressaltou que esta ação é fundamental para expandir a cultura do café no interior do estado. “Com essa iniciativa, será possível atender produtores que não têm recursos para investir”, afirmou Lima, ao falar sobre a importância do apoio governamental na agricultura familiar.
A atuação do governo do Acre na cadeia produtiva do café se estende por ações de capacitação, fomento e promoção de investimentos. A Secretaria de Agricultura está desenvolvendo uma série de iniciativas, como a participação em eventos nacionais e internacionais e a implementação de um sistema de identificação geográfica para o café acreano.
Resultados e Benefícios
Os resultados já começam a aparecer, com o Valor Bruto da Produção (VBP) do café, que saltou de R$ 20,5 milhões em 2015 para R$ 139,6 milhões em 2025, superando a soja no estado. Com as projeções para a cafeicultura, estima-se que até 45 mil pessoas possam ser retiradas da extrema pobreza, além de elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) local.
Além dos impactos econômicos, o estado do Acre investe na preservação ambiental, mantendo 84% da sua floresta intacta e promovendo práticas agroecológicas que geram empregos verdes e fortalecem o turismo. O governo também oferece benefícios fiscais e tributários, como isenção de impostos sobre insumos agrícolas e a inclusão do café acreano na cesta básica a uma taxa reduzida.
O futuro da cafeicultura no Acre parece promissor, e a assinatura do edital representa um fortalecimento significativo da agricultura familiar, promovendo não apenas o desenvolvimento econômico, mas também a inclusão social e a sustentabilidade no estado.
