Workshop Foca em Sustentabilidade e Rastreabilidade
No dia 12 deste mês, a comitiva da União Europeia esteve em missão no Acre, participando de um workshop dedicado à plataforma Selo Verde. O evento reuniu representantes de diversas instituições, tanto nacionais quanto internacionais, com o intuito de discutir a rastreabilidade ambiental e a adequação da produção local às crescentes exigências do mercado internacional.
A programação do encontro começou com apresentações de autoridades da Bélgica e da Espanha, que discorreram sobre o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). Essa norma estabelece critérios rigorosos para que commodities e outros produtos comercializados no espaço europeu possam comprovar que sua origem não está associada ao desmatamento. A principal meta da regulamentação é diminuir a contribuição da União Europeia para o desmatamento global e a degradação florestal.
Durante as palestras, os representantes europeus compartilharam suas experiências na implementação do regulamento em seus países, destacando tanto os desafios institucionais quanto os mecanismos de controle que foram estabelecidos. Eles também abordaram as oportunidades de adaptação que as cadeias produtivas têm para atender às novas normas comerciais. Outro ponto relevante da discussão foi o papel fundamental dos estados amazônicos na criação de sistemas de monitoramento e rastreabilidade, que garantem tanto a transparência quanto a segurança ambiental da produção.
Leonardo Carvalho, secretário de Estado do Meio Ambiente, destacou a importância da implementação do Selo Verde nos estados brasileiros. Ele explicou que a iniciativa busca aumentar a transparência nas informações ambientais, facilitando o acesso a dados tanto para a sociedade quanto para os produtores. Além disso, para aqueles que pretendem acessar mercados mais exigentes, como o europeu, o Selo Verde serve como uma prova de conformidade com as normas ambientais, potencialmente abrindo novas oportunidades de exportação e valorizando a produção sustentável.
Já Bart De Sutter, assessor de Políticas para Produtos Livres de Desmatamento, ressaltou como o evento beneficia o intercâmbio de conhecimentos e a colaboração entre as instituições presentes. ‘Eventos como este, que reúnem diferentes atores e instituições do país, são uma ótima oportunidade para fortalecer conexões e trocar experiências’, comentou De Sutter, enfatizando a importância do contato direto com as pessoas envolvidas nas práticas produtivas.
A programação seguiu com a apresentação da plataforma Selo Verde, uma ferramenta inovadora que utiliza dados oficiais e tecnologia geoespacial para monitorar as condições ambientais de propriedades rurais e apoiar a rastreabilidade da produção. A plataforma reúne informações ambientais, fundiárias e socioeconômicas, permitindo uma análise minuciosa sobre a conformidade ambiental das propriedades rurais e promovendo a transparência em relação ao uso do território.
Um painel também foi organizado com representantes dos estados onde o Selo Verde já foi implementado, como Acre, Pará, Espírito Santo e Minas Gerais. O objetivo foi compartilhar experiências e debater estratégias de implementação e aprimoramento dessa ferramenta, além de reforçar a colaboração entre os estados na consolidação de sistemas de monitoramento ambiental e rastreabilidade.
Andreia Coelho, assessora da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), destacou a relevância do encontro para o diálogo entre os estados. ‘Esse evento é fundamental para mostrar como o Acre e outros estados estão utilizando essa ferramenta para valorizar e agregar valor à produção’, disse Coelho, ressaltando que essa é uma grande oportunidade para todos os envolvidos.
Por sua vez, César Donato, analista ambiental do Instituto Estadual de Florestas (IEF) de Minas Gerais, mencionou que a troca de experiências entre os estados fortalece o aprimoramento das ferramentas de monitoramento e regularização ambiental. ‘Essa troca é rica, pois nos permite implementar ideias que já foram testadas em outros estados, ajudando assim nossos produtores rurais’, destacou.
A agenda do evento está integrada a um conjunto de atividades que visa fortalecer as políticas de monitoramento ambiental, transparência de dados e rastreabilidade da produção. Tais iniciativas são consideradas essenciais para aumentar a inserção dos estados brasileiros nos mercados internacionais.
Raoni Rajão, coordenador do Centro Tecnológico de Modelagem Ambiental da UFMG, lembrou que o Selo Verde surgiu de um artigo científico desenvolvido na universidade e evoluiu para uma ferramenta prática extremamente útil. ‘A plataforma combina informações espaciais, como dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e registros de desmatamento, permitindo distinguir entre desmatamentos legais e ilegais’, explicou.
A missão contou com a participação de autoridades da Comissão Europeia, do Ministério da Saúde e do Meio Ambiente da Bélgica, do Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico da Espanha, da Universidade Federal de Minas Gerais, entre outras instituições.
Na programação, a comitiva também teve a oportunidade de conhecer espaços culturais do Acre. A jornada começou com uma visita ao Museu dos Povos Acreanos, onde os participantes mergulharam na história e cultura local. Após, seguiram para a Casa do Artesanato Acreano, onde puderam entender melhor a produção artesanal e as iniciativas que valorizam o uso sustentável de recursos naturais.
Além disso, o programa AL-INVEST Verde, financiado pela União Europeia, visa promover o crescimento sustentável e a criação de empregos na América Latina, apoiando a transição para uma economia de baixo carbono e incentivando modelos de produção sustentáveis.
