Integração Estratégica entre Brasil e Peru
Nesta semana, o governo do Acre firmou um acordo significativo que promete revolucionar a logística e a economia da região. A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) estabeleceu um pacto de cooperação internacional entre a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre e a Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) de Ilo, no Peru. Essa ação visa criar uma rota interoceânica, transformando o Acre em um ponto logístico estratégico que conecta a Amazônia brasileira ao mercado asiático através do Oceano Pacífico.
O secretário da Seict, Assurbanípal Mesquita, visitou a ZED de Ilo na última sexta-feira, dia 21, onde teve a oportunidade de conhecer as operações da Zona de Exportação e dialogar com empresários locais. Essa visita foi um passo importante para estreitar laços e fomentar intercâmbios comerciais entre os dois países.
Reinaldo Cordova, membro regional do Centro de Estudos da Universidade de la Calle, foi convidado a participar dessas discussões, atuando como facilitador para este diálogo de integração entre o Acre e o sul do Peru. Ele destacou a possibilidade de expandir essa aliança a outros estados, como o norte do Chile, promovendo um ambiente colaborativo que une regiões estratégicas da América do Sul.
“Percebemos que essa aliança pode se estender a outros espaços, incluindo o governo do norte do Chile. Com a colaboração do meio acadêmico, pretendemos criar um espaço contínuo de diálogo e integração, que não se limita ao sul do Peru. Juntos, podemos unir os estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e o governo do Norte do Chile”, afirmou Cordova.
Fortalecendo o Comércio Internacional
A ZED de Ilo, localizada no sul do Peru, se destaca por sua conexão com a Rodovia Interoceânica Sul, que liga o Brasil ao território peruano. A cidade, que abriga o Porto de Ilo, também está próxima do Porto de Matarani, oferecendo uma infraestrutura robusta para facilitar o escoamento de mercadorias. Essa localização privilegiada é essencial para o fortalecimento das relações comerciais entre os dois países.
De acordo com Assurbanípal Mesquita, o acordo vai além de um simples entendimento institucional; é uma mudança de paradigma para o setor produtivo do Acre. “Estamos construindo uma ponte concreta para o desenvolvimento. A integração entre a ZPE do Acre e a ZED de Ilo permitirá que os empresários acreanos vejam o Pacífico não como um horizonte distante, mas como uma rota acessível e competitiva. Nossa missão é reduzir o ‘Custo Brasil’, encurtando o tempo de trânsito para a Ásia e diminuindo o custo do frete de insumos essenciais”, ressaltou o secretário.
Papel Fundamental da ZPE do Acre
A ZPE do Acre, um distrito industrial incentivado, assume um papel vital nesse novo cenário. Com o acordo firmado, as empresas localizadas na zona acreana terão acesso facilitado a suporte técnico e logístico para utilizar os portos peruanos. Essa mudança promete gerar um ganho de competitividade para produtos como proteína animal, madeira, café, castanha e grãos, além de facilitar a entrada de máquinas e insumos, reduzindo a dependência dos portos do Sudeste e Sul do Brasil.
Do lado peruano, a integração produtiva vai permitir um intercâmbio de tecnologia e a consolidação de cargas em território peruano, ampliando as oportunidades de negócios para ambos os lados. “A ZPE do Acre entra em uma nova fase. Com essa parceria, estamos criando um ambiente de negócios onde a logística é o diferencial. Nosso objetivo é atrair novos investimentos que vejam no Acre uma porta de saída natural para o mercado global”, reiterou Assurbanípal.
Futuro Promissor para o Comércio Regional
O acordo também prevê a realização de missões comerciais e rodadas de negócios entre empresários brasileiros e peruanos. A expectativa é que, nos próximos meses, o fluxo de mercadorias pelo eixo Peru-Brasil ganhe um novo ritmo, consolidando o Acre como o principal hub logístico da Amazônia Ocidental. Com iniciativas como essa, o governo do Acre reafirma seu compromisso em gerar empregos e renda, posicionando a economia local como um ator central nas decisões de integração sul-americana.
