Desafios da Judicialização na Saúde
O aumento das ações judiciais na área da saúde já representa 47% de todos os processos, com destaque para estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Nesses locais, as reclamações contra operadoras de planos de saúde superam, pela primeira vez, o número de ações direcionadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Especialistas acreditam que esse fenômeno não indica uma melhoria na saúde pública, mas sim um reflexo da crescente frustração dos consumidores que pagam por um acesso mais célere e previsível a tratamentos médicos.
Enquanto as queixas se acumulam, as operadoras de saúde estão experimentando um cenário favorável. Entre janeiro e setembro de 2025, os planos de saúde registraram um lucro operacional de impressionantes R$ 9,3 bilhões, um crescimento de cerca de 140% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este é o melhor desempenho do setor em cinco anos.
O lucro operacional é um indicador relevante, refletindo a diferença entre o que é arrecadado em mensalidades e as despesas assistenciais e administrativas. Esse crescimento é impulsionado pelo aumento no número de beneficiários de planos médico-hospitalares, que alcançou 53,3 milhões em outubro de 2025, com uma adição mensal líquida de 181.220 novos vínculos, conforme dados da Agência Nacional de Saúde (ANS). Os planos de saúde exclusivamente odontológicos também mostraram crescimento, totalizando 35,1 milhões de beneficiários, 320 mil a mais em relação ao mês anterior.
Atualmente, 24,8% da população brasileira possui algum tipo de plano privado, evidenciando a importância deste setor. Entretanto, especialistas alertam que a disparidade entre o aumento do número de clientes e os ganhos financeiros, em meio ao crescimento da judicialização, sugere que muitos conflitos poderiam ser evitados. Para isso, seriam necessários mecanismos administrativos mais eficazes que resolvam as queixas antes que cheguem ao Judiciário.
