Maior Mobilização Indígena do País
No domingo (5), indígenas de diversas partes do Brasil começaram a chegar a Brasília para participar da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), que acontece no Eixo Cultural Ibero-Americano, no coração da capital federal. Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o evento, que se estende até o sábado (11), é considerado uma das principais mobilizações do movimento indígena no país. Segundo os organizadores, espera-se que entre 7 mil e 8 mil pessoas, tanto indígenas quanto não indígenas, participem do ATL deste ano.
A cada edição, o ATL reúne representantes de muitos dos 391 povos originários do Brasil, além de delegações de outras nações. O evento é um espaço fundamental para debater a defesa dos territórios indígenas e denunciar as constantes violações dos direitos desses povos. Nos últimos anos, as discussões se diversificaram, incluindo temas como a participação política dos indígenas, as questões climáticas e a defesa da democracia. No entanto, a questão central continua sendo o reconhecimento do direito dos povos originários à terra.
Expectativas e Objetivos do Evento
Dinamam enfatizou que o passivo de demarcação é elevado e a violência enfrentada nas terras indígenas é alarmante. “Esse cenário motiva os povos a virem a Brasília para apresentar suas pautas”, declarou.
Mobilização e Temas Abordados
O Acampamento Terra Livre também dá início ao Abril Indígena, um mês dedicado à mobilização nacional em prol de questões como investimentos em saúde e educação para os povos indígenas. A edição deste ano traz o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, que reflete a urgência das demandas indígenas.
A primeira marcha está marcada para a próxima terça-feira (7), em protesto contra propostas de lei que, segundo a Apib, não atendem aos interesses dos povos originários. Entre os temas a serem discutidos está a regularização da mineração em terras indígenas e o chamado marco temporal, que limita os direitos territoriais aos locais ocupados até outubro de 1988, ano da promulgação da Constituição Federal.
Eleições e Participação Política
As eleições de 2026 também serão foco de discussões durante o Acampamento. Na quinta-feira (9), haverá uma mesa redonda intitulada “Campanha Indígena: a resposta para transformar a política somos nós”, que se baseia no manifesto publicado pela Apib no ano passado, reafirmando o compromisso com o engajamento político indígena.
Participação e Expectativas dos Indígenas
Cotinha de Sousa Guajajara chegou a Brasília junto com um grupo de 67 indígenas da etnia Guajajara, percorrendo cerca de 1.400 quilômetros desde a Terra Indígena Morro Branco, em Grajaú (MA). Ela relatou que começaram a viajar após as lideranças decidirem que o acampamento iria ocorrer, apesar de rumores sobre o contrário. “Nossa expectativa é que áreas sejam demarcadas e ampliadas, especialmente no Maranhão, onde a população cresceu e a área disponível já não é suficiente”, ressaltou Cotinha.
Oziel Ticuna, que reside em Brasília e estuda na Universidade de Brasília (UnB), também participa do acampamento para reencontrar amigos e aguardar representantes de sua comunidade, no Rio Alto Solimões, Amazonas. “O ATL nos permitiu encontrar novas formas de organização e de diálogo entre os povos, buscando soluções coletivas para nossos desafios e a proteção de nossas culturas”, declarou Oziel, enfatizando a importância da luta pela representação indígena.
