Análise das Consequências da Queda do Brasil no Ranking
O Brasil registrou uma queda significativa, passando da 10ª para a 11ª posição entre as maiores economias do planeta, conforme levantamento realizado pela Austin Rating, uma respeitada agência de classificação de risco de crédito brasileira. Essa mudança de posição se deve, em grande parte, à forte valorização do rublo, que impulsionou a Rússia para cima no ranking global. Além disso, o país também sofreu um recuo drástico no avanço do Produto Interno Bruto (PIB), saindo da 2ª para a 32ª colocação no mundo ao longo do ano. Embora essa nova classificação possa parecer preocupante, alguns indicadores internos demonstram uma melhora nas expectativas econômicas e uma valorização do real. Contudo, a desaceleração do crescimento econômico prevista para 2025 contribui para explicar esse novo contexto.
O professor Alex Ferreira, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, avalia que, sob a ótica conjuntural, os fatores fiscais internos têm um peso maior do que as influências externas ao se interpretar o cenário econômico. Ele destaca que a dívida bruta do governo se aproxima de 80% do PIB, um nível preocupante para uma economia como a brasileira, que já enfrenta taxas de juros estruturalmente elevadas. “O atual regime fiscal, que depende de superávits primários, não é suficiente para estabilizar a dívida em um caminho sustentável. O resultado nominal continua deficitário, em torno de 8% do PIB, o que limita significativamente o espaço para gastos discricionários e investimentos públicos, especialmente em setores que poderiam elevar a produtividade da economia”, explica.
A trajetória fiscal, segundo o docente, gera um ambiente de incerteza, o que eleva o prêmio de risco e mantém a taxa de juros real em um patamar elevado. “Essa situação desestimula o investimento privado e torna mais difícil o processo de redução das taxas de juros pelo Banco Central”, acrescenta Ferreira. Ele ainda ressalta que o desempenho relativo do Brasil em comparações internacionais é fortemente afetado pela dinâmica cambial. A conversão dos PIBs para uma mesma moeda, fundamentada na taxa de câmbio de mercado, pode alterar a posição de um país no ranking, mesmo que não haja mudanças reais na dimensão de suas economias.
“Por esse motivo, muitos economistas preferem utilizar métricas menos suscetíveis a flutuações cambiais, ou indicadores mais informativos, como o PIB per capita”, afirma. “De acordo com os dados mais recentes de 2023, o Brasil ocupa a cerca da 90ª posição no ranking de renda per capita, ficando atrás de economias centrais e de outros países sul-americanos, como Argentina e Chile”, conclui.
Ferreira destaca que, tanto em relação a outras economias quanto em sua própria trajetória histórica, as taxas de crescimento do Brasil continuam sendo baixas. Mesmo comparando com o período anterior à crise da dívida dos anos 1980, o ritmo de crescimento atual não é suficiente para reduzir a distância em relação às economias centrais e emergentes que conseguiram avançar mais rapidamente nos últimos anos. “As projeções mais recentes, como as do Boletim Focus do Banco Central, apontam para um crescimento em torno de 2% ao ano para 2025 e 2026, um patamar insuficiente para sustentar uma convergência econômica”, observa.
Obstáculos ao Crescimento do PIB em 2026
Por fim, o professor Ferreira analisa as perspectivas para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 e os fatores estruturais que condicionam o desempenho econômico a longo prazo. Segundo ele, a teoria econômica e a evidência empírica ajudam a identificar os principais obstáculos ao crescimento sustentado. “A baixa acumulação de capital humano, os problemas nas áreas de educação, saúde e segurança, além de um ambiente institucional que não favorece o empreendedorismo, limitam os ganhos de produtividade e eficiência”, explica.
O docente ainda ressalta que essa combinação de fatores compromete a acumulação de capital humano, físico e tecnológico, que são considerados os principais canais para a expansão da capacidade produtiva da economia brasileira a longo prazo. “Sem avanços significativos nessas áreas, será difícil sustentar o crescimento da demanda sem gerar pressões inflacionárias”, completa.
