O Gás de Cozinha e seus Preços Elevados
MANAUS — A Fogás e a Amazongás, grandes fornecedoras de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) na Região Norte, são responsáveis pela venda do gás de cozinha mais caro do Brasil, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo). Em Roraima, o preço do botijão de 13 quilos chega a R$ 140,04, com uma margem bruta de distribuição de R$ 70,97, representando 50% do custo total.
Esse alto preço não é uma exclusividade do estado de Roraima. No Amazonas, por exemplo, o botijão de gás de cozinha de 13 quilos custa, em média, R$ 125,19. Os preços também são elevados no Acre e em Rondônia, onde os valores são de R$ 122,98 e R$ 121,56, respectivamente.
A Presença das Distribuidoras na Região
A Fogás opera em várias localidades, incluindo os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Pará, Amapá, Roraima e Mato Grosso, enquanto a Amazongás atua em Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre. De acordo com a ANP, no estado do Amazonas, a parte referente à distribuição no preço do GLP saltou de 35,4% em 2022 para 58,5% em 2025, quando analisado o preço do botijão de 13 quilos.
Curiosamente, esse aumento na margem de distribuição contrasta com uma redução significativa na participação do preço do produtor, que caiu de 42,3% para 26,2% no mesmo período, enquanto a margem de revenda diminuiu de 8,8% para míseros 0,73%. Para completar, o ICMS teve uma leve alta, passando de 13,3% para 14,4%.
Impactos das Mudanças na Legislação
Frente à crise de preços que afetou combustíveis durante a pandemia de Covid-19, o governo implementou mudanças na legislação tributária para tentar reduzir os valores. Desde 2023, uma alíquota única de ICMS sobre os combustíveis passou a ser aplicada, fixada anualmente pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). No Amazonas, antes, o ICMS sobre o gás de cozinha era de 18% do preço médio do produto.
Os estados alegam que esta nova política trouxe severas perdas de arrecadação, estimadas em R$ 100 bilhões no primeiro ano, pois a diminuição do ICMS não acompanhou o aumento nos preços do gás. Por outro lado, apesar dessa “renúncia” tributária, o preço do GLP continuou a subir: entre 2022 e 2025, o valor do botijão teve um acréscimo de 10,5%, enquanto a margem de distribuição cresceu 131,89%.
Composição dos Preços do GLP
Em novembro de 2022, um botijão de 13 quilos custava R$ 113,20 ao consumidor final, com a seguinte composição de preços: R$ 47,99 (42,3%) correspondente ao preço do produtor; R$ 15,11 (13,3%) referente ao ICMS; R$ 9,97 (8,8%) para a margem bruta de revenda; e R$ 40,13 (35,4%) para a margem bruta de distribuição.
Já em novembro de 2025, o mesmo botijão custava R$ 125,19, com a seguinte distribuição: R$ 32,90 (26,2%) para o produtor, R$ 18,07 (14,4%) para o ICMS, R$ 0,92 (0,73%) para os revendedores, e R$ 73,30 (58,5%) para as distribuidoras.
Variações de Preços no Mercado
No cenário nacional, o preço médio do botijão de 13 quilos é de R$ 110,38, enquanto no Amazonas o valor é em média R$ 125,71. Os dados do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra) também mostram que a Região Norte apresenta o maior preço médio do GLP do país
Além disso, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) aponta que a privatização da refinaria de Manaus e a nova política de preços resultaram em um aumento de 35% nos custos para as distribuidoras.
A Influência da Logística de Distribuição
A logística desempenha um papel crítico nessa dinâmica. A Fogás e a Amazongás obtêm seu GLP principalmente do Polo Urucu, em Coari, que é transportado até Manaus por uma dutovia de 663 quilômetros. O GLP chega ao TUP (Terminal de Uso Privado) Refman e, a partir daí, é distribuído para as empresas.
Antes da venda da Reman, a Petrobras controlava toda a logística da distribuição de GLP em Manaus. Agora, com a venda para o Grupo Atem, surgiram preocupações sobre possíveis aumentos nos preços, uma vez que as distribuidoras precisam utilizar a infraestrutura do novo proprietário para operar.
Conclusão
Em resumo, a situação do preço do gás de cozinha no Amazonas é complexa, marcada por uma combinação de fatores que vão desde a política tributária até questões logísticas. O contínuo aumento da margem de distribuição, mesmo diante de mudanças legislativas que visavam a redução de preços, levanta questões sobre a transparência e a eficiência do mercado de gás na região.
