Potencial do Acre para a Bioeconomia
O Acre recebeu, nesta semana, a visita de Tobias Metzger, fundador e CEO da B.ESO Bambu UG, uma empresa reconhecida no setor de produtos sustentáveis baseados em bambu. O objetivo da visita foi avaliar a possível instalação de uma unidade de processamento no estado, uma iniciativa que promete abrir novas oportunidades de desenvolvimento econômico, geração de empregos e valorização do bambu como um importante ativo da bioeconomia.
Durante a visita, que foi coordenada pela Agência de Negócios do Estado do Acre (Anac), Metzger teve a oportunidade de conhecer as potencialidades do estado, além de visitar diversas indústrias locais. Ele também dialogou com órgãos governamentais sobre políticas públicas voltadas para a bioeconomia e a atração de investimentos sustentáveis. A agenda incluiu reuniões com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a Secretaria de Planejamento (Seplan), a Companhia de Desenvolvimento de Serviços Ambientais do Acre (CDSA), a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) e a Embrapa, além de uma visita à Agouti S.A., uma indústria de pisos de madeira situada em Xapuri, vinculada à Anac.
Os gestores do Estado apresentaram ao CEO da B.ESO os incentivos que o governo estadual oferece, a infraestrutura disponível e as estratégias de apoio à instalação de novos empreendimentos. A presidente da Anac, Waleska Bezerra, ressaltou a importância da visita: “A vinda do B.ESO demonstra que o Acre tem, sim, potencialidades para receber investimentos sustentáveis com visão de futuro. Estamos à disposição para dar todo o apoio logístico e contribuir com a articulação para viabilizar projetos que gerem emprego, respeitem o meio ambiente e fortaleçam a economia local.”
Bambu: Uma Alternativa Sustentável
No cenário atual, o bambu se destaca no Acre como uma alternativa produtiva viável e ambientalmente correta. Essa planta, que apresenta rápido crescimento, resistência e versatilidade, é uma matéria-prima altamente valorizada em mercados internacionais e pode impulsionar novas cadeias produtivas no estado. Com a possível instalação da unidade da B.ESO, produtores locais terão a chance de se integrar a uma cadeia global, o que poderá gerar renda, dinamizar a economia rural e agregar valor à produção local.
O secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, comentou sobre a relevância da visita, afirmando que representa uma oportunidade estratégica para o Acre avançar em um desenvolvimento sustentável que una inovação e bioeconomia. “O bambu é uma matéria-prima de enorme potencial econômico e ambiental, e a instalação de uma unidade de processamento no estado pode criar emprego e renda, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis”, destacou. Ele enfatizou ainda que a Sema tem atuado de forma integrada com outros órgãos do governo para estabelecer um ambiente seguro, transparente e atraente para investimentos que respeitem as políticas ambientais e valorizem os ativos florestais do Acre.
Próximos Passos e Perspectivas
Na reunião com a CDSA, o diretor do órgão, José Gondim, apresentou áreas propícias para a instalação do empreendimento e discutiu possibilidades de manejo. “Estamos em busca de parceiros para empreendimentos diretos de bioeconomia que permitam ao empresário e ao financiador estabelecer estruturas de trabalho que gerem renda, respeitando o ecossistema local e evitando desmatamento e degradação ambiental. O objetivo é implementar ações inteligentes e tecnológicas para gerar valor a partir das riquezas ecossistêmicas”, afirmou Gondim.
Nos próximos dias, as conversas entre o governo do Acre e a B.ESO devem avançar com novas reuniões virtuais, que possibilitarão ao investidor apresentar seu plano de negócios e investimento. Essa análise incluirá aspectos técnicos, ambientais e logísticos, além da definição de uma área estratégica para a instalação da planta industrial no estado. Também estão programadas novas missões técnicas, rodadas de negociação e articulações com instituições de pesquisa, cooperativas e financiadores.
Essa iniciativa reitera o compromisso do Acre com uma nova economia, que é sustentável, justa e fundamentada no uso inteligente dos recursos naturais.
Sobre a B.ESO Bambu
A B.ESO Bambu, com sede na Alemanha, foca no desenvolvimento de soluções sustentáveis a partir do bambu, abrangendo desde a construção civil e mobiliário até a produção de biomassa e materiais compostáveis. A empresa investe em tecnologia, inovação e parcerias globais, priorizando cadeias produtivas que respeitem o meio ambiente e promovam o desenvolvimento local.
Em sua avaliação sobre a visita ao Acre, Tobias Metzger expressou sua surpresa positiva: “Já estive em muitos lugares do Brasil, mas nunca tinha vindo ao Acre. Todos diziam que isso era muito longe e que deveria ser esquecido. No entanto, estou muito otimista. A participação ativa de todos na reunião foi muito valiosa. Acredito que o negócio é possível. A logística precisa ser compreendida, mas estou certo de que isso é um problema que pode ser resolvido.”
