Reconhecimento e Reparação Histórica
Na tarde de sexta-feira, 16 de fevereiro, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, para cumprir agendas que ressaltam a importância do patrimônio cultural local. A visita incluiu a entrega de uma placa de reconhecimento ao Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, que foi oficializado como Patrimônio Cultural do Brasil. Também foi assinada a ordem de serviço para obras emergenciais na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, simbolizando um compromisso renovado com a preservação cultural da Bahia.
Cachoeira, com sua rica história e papel central na luta pela Independência do Brasil, é reconhecida como a Cidade Heroica. O município abriga um dos mais significativos conjuntos históricos do país, onde se entrelaçam expressões culturais que dialogam com as raízes africanas e a religiosidade popular. Durante sua passagem, a ministra enfatizou a relevância do reconhecimento de espaços como o terreiro, que, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), agora integra o Livro do Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico.
A Importância do Território e das Práticas Culturais
Em sua fala, Margareth Menezes ressaltou a importância do reconhecimento como um ato de reparação. “Este momento representa a retomada de um outro olhar, um olhar de justiça e de reparação. Precisamos reconhecer a contribuição dos terreiros e da cultura afro-brasileira para a formação do nosso país”, afirmou a ministra. Sua mensagem se estendeu à importância do Estado na promoção dos direitos culturais e no combate ao racismo estrutural, reafirmando o respeito por todas as religiões.
Hermano Fabrício Oliveira Guanais, superintendente do Iphan na Bahia, complementou que o tombamento do terreiro vai além de um ato simbólico. “Representa o compromisso do Estado com a proteção e a salvaguarda deste espaço, incluindo suas celebrações e práticas culturais”, disse ele, destacando a indissociabilidade entre as dimensões material e imaterial do patrimônio cultural.
Um Momento de União e Respeito
Eliana Gonzaga, prefeita de Cachoeira, expressou sua satisfação com o reconhecimento do terreiro, enfatizando a importância do respeito entre as diversas crenças. “Como pessoa evangélica, celebro este momento com o povo de santo, e digo que Deus é um só: a maior religião é o amor”, destacou. A cerimônia também contou com as palavras de Pai Duda de Candola, representante do terreiro, que lembrou os desafios enfrentados pela comunidade ao longo dos anos e como o tombamento contribuiu para a paz na região.
A segurança pública também esteve presente, com o major Vitor Maciel reafirmando o compromisso da Polícia Militar com a proteção da comunidade. O evento foi um marco para a cidade, que viu sua rica história e cultura serem valorizadas.
Início das Obras Emergenciais na Igreja
Seguindo a programação, a ministra Margareth Menezes participou da assinatura da ordem de serviço para as obras na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Este templo, que faz parte do conjunto urbano tombado pelo Iphan desde 1971, apresentava um estado crítico de deterioração. Com um investimento de R$ 775,9 mil, os serviços incluirão descupinização, substituição do telhado, restauração de esquadrias e estabilização estrutural, visando garantir a conservação e a estabilidade do monumento.
A ministra enfatizou o valor simbólico do patrimônio religioso, relacionando-o diretamente à identidade nacional e ressaltando que preservar esses espaços é parte do reconhecimento de quem somos enquanto sociedade. “Investir em cultura não é desperdício; é investir em desenvolvimento, cidadania e dignidade”, disse ela.
A prefeita Eliana Gonzaga também mencionou o papel do Governo Federal nas políticas culturais, afirmando que o fortalecimento dessas ações é essencial para a preservação da memória e da identidade da comunidade. Naiara Jambeiro, guardiã da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, celebrou o início das obras como a realização de um sonho coletivo.
Hermano Guanais, por sua vez, reiterou que a preservação depende da consciência da comunidade sobre seu patrimônio. “Igreja preservada é igreja viva, com memórias e vivência coletiva da fé. Este é o principal patrimônio que precisamos proteger”, concluiu.
