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    Início»Cultura»Enchente do Rio Acre: Mais de 400 Desabrigados em Rio Branco
    Enchente do Rio Acre: Mais de 400 Desabrigados em Rio Branco
    Cultura 29/12/2025

    Enchente do Rio Acre: Mais de 400 Desabrigados em Rio Branco

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    Cresce o número de famílias afetadas pela enchente na capital do Acre

    O avanço das águas do Rio Acre tem trazido grandes preocupações para os moradores de Rio Branco. Atualmente, 135 famílias estão oficialmente desabrigadas, totalizando mais de 400 pessoas que precisaram deixar suas casas. A Defesa Civil da cidade também informou que há 216 indivíduos desalojados, ou seja, que encontraram abrigo provisório na casa de amigos ou familiares. Deste grupo, 138 buscaram assistência para remoção, enquanto 78 decidiram se mudar por conta própria. O nível das águas registrou 15,36 metros na manhã desta segunda-feira (29), embora não tenham ocorrido chuvas nas últimas 24 horas. Mesmo assim, o rio subiu 42 centímetros nas últimas medições, refletindo a gravidade da situação.

    Uma das afetadas, Janaína Brenna, de 22 anos, vive no bairro Seis de Agosto e compartilha sua preocupação. “Ninguém esperava que a enchente voltasse a acontecer tão cedo. Geralmente, esse tipo de alagamento ocorre entre fevereiro e março. E agora, justo durante as festas de fim de ano, quando todos estão focados nas celebrações, somos pegos de surpresa. A Defesa Civil precisa vir rapidamente, mas é complicado, especialmente com crianças envolvidas”, lamentou a jovem.

    Abrigos e apoio à população

    Conforme explicou o tenente-coronel Cláudio Falcão, coordenador da Defesa Civil Municipal, o monitoramento do Rio Acre ocorre desde 1970. No entanto, ele reforçou que a última vez que se registrou um transbordamento em dezembro foi em 1975, há 50 anos. Atualmente, a prefeitura montou seis abrigos na cidade, além de um abrigado pelo governo estadual, para atender a demanda crescente de desabrigados. Os locais de acolhimento incluem escolas e centros comunitários, como a Escola Álvaro Rocha, que abriga 14 famílias, e o Centro de Cultura Mestre Caboquinho, que recebe 75 famílias, totalizando 130 pessoas.

    Até o último domingo (28), Rio Branco já havia acumulado 483 milímetros de chuvas, superando a média esperada para o mês, que era de 265 milímetros. Isso representa um desvio alarmante de 97% acima do que era projetado, contribuindo para a atual crise. O coronel Falcão destacou que muitos moradores têm enfrentado dificuldades para receber apoio e que existem protocolos a serem seguidos para o atendimento. “Para atender a demanda crescente, precisamos abrir abrigos e mobilizar as equipes de emergência. É uma situação complexa que exige ação imediata”, afirmou.

    Prejuízos e novos abrigos

    As chuvas intensas que ocorreram entre a última quinta-feira (25) e sexta-feira (26) causaram estragos significativos em várias áreas de Rio Branco, impactando diretamente a vida de quem reside próximo a rios e igarapés. O órgão responsável informou que muitas pessoas sofreram perdas devido à enxurrada, que transbordou em várias partes da capital. O coronel Cláudio Falcão anunciou que estão sendo preparados novos abrigos, como um no Parque de Exposições, para atender às necessidades emergenciais de mais pessoas.

    Os registros de chuvas foram alarmantes, com 171 milímetros caindo entre sexta e sábado, resultando em alagamentos e transbordamentos de igarapés. Muitas vias públicas foram danificadas, e em algumas áreas, o solo desmoronou. A cota de alerta máximo do Rio Acre está fixada em 14 metros, e a situação atual levanta preocupações, pois é o segundo evento de transbordamento em menos de um ano, já que o rio também ultrapassou a marca em março. É um momento crítico que exige a atenção e ação de todos.

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