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    Cooperativa no Acre transforma a palmeira nativa em fonte de renda e preservação ambiental
    Economia 10/08/2025

    Óleo de Murumuru do Acre: A Integração da Bioeconomia e Sustentabilidade no Mercado Nacional

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    Cooperativa como Modelo de Sustentabilidade

    A Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra), localizada em Rodrigues Alves, no interior do Acre, tem se destacado no cenário nacional ao gerar renda através de produtos da floresta. Com 14.938 habitantes, sendo mais de 61% vivendo na zona rural, a comunidade se tornou um exemplo de bioeconomia, ao desenvolver a cadeia produtiva do óleo de murumuru de forma ambientalmente responsável. Esse avanço é resultado de uma sinergia entre ações governamentais, parcerias com a iniciativa privada e o fortalecimento do cooperativismo.

    Atuando em 53 comunidades rurais em cinco municípios, incluindo Porto Walter, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul, no Acre, além de Guajará e Ipixuna, no Amazonas, a Coopercintra fornece manteiga de murumuru para grandes empresas do setor de cosméticos do Brasil. Com uma produção anual de cerca de 20 toneladas, a cooperativa tem sido fundamental para o desenvolvimento econômico local.

    Queline Souza, diretora executiva da Coopercintra, destaca que, ao longo de 14 anos, a cooperativa focou na sustentabilidade e no fortalecimento das famílias que dependem da floresta. Ela ressalta que a alta qualidade dos produtos tem projetado o nome do Acre em todo o país, e menciona um notável detalhe: 30% da diretoria é composta por mulheres.

    Conhecendo o Murumuru

    Leia também: Café do Acre: Um Modelo de Bioeconomia que Transforma Vidas e Fortalece Comunidades

    Leia também: Desafios e Avanços do Cooperativismo no Acre: Entrevista Reveladora

    O murumuru, uma palmeira nativa da Amazônia, é encontrado em áreas de várzea e terra firme, sendo especialmente comum no Acre. Seus frutos, que crescem em cachos cobertos por palhas fibrosas, abrigam a amêndoa, o verdadeiro tesouro dessa planta. A colheita, realizada por extrativistas locais, respeita o ciclo natural, e os frutos são descascados manualmente, com as amêndoas secas naturalmente antes de serem prensadas para a extração da manteiga. Essa substância, rica em ácidos graxos, é altamente valorizada pela indústria de beleza.

    Todo o processo de produção se dá na sede da Coopercintra, que opera com o suporte da Natura e também do governo do Acre através da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac). Essa parceria garante capacitações e inovações para a produção de um óleo de qualidade que representa a essência de Rodrigues Alves.

    “O murumuru se tornou uma fonte de renda significativa para nossas famílias. Antes, era apenas um espinheiro na mata, mas agora nossos produtores têm relatado que isso complementa suas rendas e ajuda a preservar o meio ambiente”, explica Queline.

    Manejo Sustentável e Inclusão Social

    Leia também: Café do Acre: Um Modelo de Bioeconomia que Transforma Vidas e Fortalece Comunidades

    Leia também: Desafios e Avanços do Cooperativismo no Acre: Entrevista Reveladora

    A exploração consciente do murumuru não apenas gera receita, mas também incentiva a conscientização ambiental. O processo de coleta é realizado com cuidado, promovendo a preservação da floresta. “Nossos produtores são essenciais para a conservação dos locais onde atuamos, pois entendem que a floresta é a fonte do sustento de suas famílias”, afirma a diretora.

    Entre março e abril, a Coopercintra realiza cadastros com os extrativistas, promovendo visitas às comunidades para mapeamento e recadastramento. Após esse processo, a cooperativa coleta a matéria-prima diretamente nas residências dos produtores. “Selecionamos a amêndoa que será utilizada na nossa agroindústria”, detalha Queline.

    Na extração do óleo, tudo é aproveitado. As cascas vão para a olaria e a “torta de murumuru”, um resíduo gerado depois da prensagem, é reaproveitada como ração. A prensagem a frio e métodos mecânicos garantem a transformação da manteiga em um óleo vegetal puro, reconhecido na indústria cosmética por suas propriedades emolientes.

    Desafios e Iniciativas de Reflorestamento

    O extrativismo sustentável é um desafio diante das ameaças de queimadas e desmatamento. Para combater isso, a Coopercintra implementou um viveiro florestal. “Em parceria com a SOS Amazônia, iniciamos o reflorestamento com 15 famílias, focando no enriquecimento de áreas”, diz Queline. Essa iniciativa visa criar uma nova fonte de renda, além de fortalecer a produção de outras commodities como açaí, cacau e graviola.

    Além disso, o governo do Acre realizou uma mudança histórica ao pagar a subvenção da borracha e do murumuru diretamente aos extrativistas, uma medida que visa desburocratizar e garantir mais dignidade aos trabalhadores. O secretário de Agricultura, José Luis Tchê, confirma que a nova abordagem já beneficiou mais de 70 extrativistas. A parceria com o Banco do Brasil é fundamental para essa transformação.

    Conclusão: Um Modelo de Economia Sustentável

    O trabalho da Coopercintra é um reflexo de um esforço coletivo que envolve a Universidade Federal do Acre (Ufac), Sebrae, Funtac e o governo estadual, promovendo um modelo de economia sustentável que visa reconhecimento em nível mundial. Os extrativistas e a cooperativa são exemplos de como é possível valorizar os recursos nativos da Amazônia de forma consciente e inovadora, unindo tradição e desenvolvimento econômico.

    bioeconomia cooperativismo extrativismo sustentabilidade
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