Crítica ao avanço do bolsonarismo no Acre
O ex-senador Jorge Viana (PT) afirmou, em entrevista ao Gazeta Entrevista, que o Acre enfrenta um processo de “desenraizamento” político decorrente do avanço do bolsonarismo no estado. Viana lamentou o resultado das últimas eleições, destacando que os candidatos eleitos não possuem a mesma ligação histórica com a população acreana que lideranças tradicionais que acabaram derrotadas.
Para ele, a direita tradicional difere do bolsonarismo, que representa uma postura política extremista. “Eu queria tanto que o meu estado, que o nosso estado, não tivesse se entregado ao bolsonarismo, porque, para mim, direita é uma coisa, bolsonarismo é outra coisa”, declarou.
Desconexão entre eleitos e identidade regional
Viana ressaltou sua ligação familiar profunda com o Acre para justificar suas críticas. Ele apontou que a população tem preferido votar em candidatos que chegaram recentemente ao estado, em detrimento de políticos com raízes históricas locais. “Por que que aqui no Acre o pessoal está preferindo votar em gente que apareceu aqui outro dia e esquece quem é acreano raiz do pé rachado?”, questionou.
O ex-senador associou esse fenômeno ao domínio político consolidado por grupos ligados ao governador Gladson Cameli, que governam o estado há oito anos, citando nomes como Tião Bocalom, Mailza Assis e Alan Rick, todos integrantes desse campo político.
Impactos econômicos e sociais no Acre
Abordando a situação econômica, Viana chamou atenção para o aumento expressivo de imóveis anunciados para venda ou aluguel, interpretando isso como sinal de dificuldades no estado. “O que mais tem no Acre hoje é placa de venda e se aluga-se. O Acre está à venda, gente”, afirmou.
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O ex-senador explicou que o chamado “desenraizamento” reflete uma perda dos vínculos com a história e identidade do Acre, ilustrando com símbolos locais. Ele criticou ainda a falta de conhecimento histórico entre os políticos que utilizam símbolos regionais apenas como discurso eleitoral. “Eles se embrulham na bandeira do Acre, mas não sabem cantar uma estrofe do Hino Acreano”, afirmou.
Resultados eleitorais e postura na política
Apesar da derrota na disputa pelo Senado, Viana agradeceu aos 124 mil eleitores que o apoiaram e reafirmou seu compromisso com uma postura respeitosa na política. “Lamentavelmente, a gente não teve sucesso. Mas é da vida. Claro que eu gostaria de estar aqui como senador, sendo cobrado por você, falando com as pessoas do meu propósito de ajudar o Acre. Mas a escolha que a população fez foi outra. E eu respeito essa escolha”, declarou.
Sobre a estratégia da campanha, descartou a adoção de uma postura agressiva contra o bolsonarismo para melhorar seu desempenho. “Os erros e o insucesso da campanha são responsabilidade minha. Eu não vou debitar para ninguém. Eu ofereci meu nome, eu ofereci minha história, eu andei o estado inteiro”, disse. E resumiu: “Eu prefiro perder ganhando”.
Perspectivas para a eleição presidencial e pacificação
Viana destacou a importância da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro, classificando o pleito como decisivo para o futuro da democracia brasileira. Ele alertou para o risco do avanço de posições autoritárias no país, fazendo referência a regimes históricos da Europa que chegaram ao poder por processos eleitorais, como o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália.
Defendeu que a direita tradicional é legítima, mas criticou os extremismos. “Eu respeito as pessoas de direita. Meu pai era conservador, não tem problema nenhum. Eu estou falando de extremistas”, explicou.
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Viana também sugeriu que, caso Lula seja eleito, seu mandato deveria priorizar a pacificação do país, buscando reduzir a polarização política que divide famílias e grupos sociais. “Eu acho que o Lula ganhando será o último mandato dele. Eu defendo que o Lula pacifique o país”, afirmou.
Críticas a Flávio Bolsonaro e defesa da preservação ambiental
Ao comentar a disputa presidencial e o resultado eleitoral no Acre, Viana fez críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro, associando-o a grupos ligados ao crime organizado no Rio de Janeiro. “Esse cidadão, Flávio Bolsonaro, é um cidadão ligado ao Comando Vermelho. Ele é uma pessoa defensora, ligada às milícias do Rio de Janeiro”, afirmou.
Questionado sobre essas acusações, disse: “Não tô acusando ninguém, não. Isso quem fala são os aliados dele. Eu tô falando de extremistas, de pessoas corruptas. De pessoas ligadas às milícias. De pessoas ligadas ao Comando Vermelho. Esse Flávio Bolsonaro é dessa laia”.
Por fim, Viana ressaltou a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico com a proteção do meio ambiente e dos povos indígenas no Acre. Como engenheiro florestal, destacou a importância da natureza diante da crise climática que afeta o mundo com secas e enchentes. “Estamos vivendo crise climática, eu sou engenheiro florestal, nós precisamos da natureza. É o mundo alagando num canto e morrendo de seca no outro”, concluiu.
