Parentes de políticos tradicionais não asseguram vagas no Acre
Nas eleições recentes no Acre, nomes ligados a famílias políticas tradicionais disputaram cadeiras na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e na Câmara dos Deputados, mas não conseguiram se eleger. Entre os candidatos que ficaram fora do Legislativo estão filhos, esposas e irmãos de políticos com atuação histórica no estado.
Ao todo, pelo menos dez candidatos com conexões familiares a figuras políticas disputaram os pleitos proporcionais: quatro para deputado estadual e seis para deputado federal. Apesar da influência dos sobrenomes conhecidos, a tradição política não garantiu a ocupação das cadeiras.
O impacto do sistema proporcional nas eleições
Nas eleições proporcionais, além dos votos individuais, o desempenho das legendas e a distribuição das vagas são determinantes. Portanto, a votação pessoal não é o único critério para definir os eleitos.
Entre os candidatos a deputado estadual que não se elegeram, destacam-se Whendy Lima (União), filho do ex-vereador N. Lima, com 9.531 votos, e Eduardo Gomes (Republicanos), filho da prefeita de Senador Guiomard, Rosana Gomes, que obteve 7.746 votos. Ambos ficaram como suplentes.
Também ficaram na suplência Antônia Sales (MDB), esposa do ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Vagner Sales, com 5.809 votos; João Asfuri (MDB), filho do ex-prefeito de Porto Acre João Asfury, com 867 votos; Tiago Mourão (PT), filho do ex-deputado federal Nilson Mourão, com 827 votos; e Claire Cameli (MDB), filha do ex-governador Orleir Cameli, que recebeu 763 votos.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Deputados federais ligados a famílias políticas ficaram fora da Câmara
Na disputa para deputado federal, João Bittar (PL), filho do senador reeleito Marcio Bittar, recebeu 13.440 votos, mas ficou como suplente. Vagner Sales (MDB), ex-prefeito de Cruzeiro do Sul e pai da ex-deputada federal Jéssica Sales, obteve 8.027 votos, insuficientes para uma das oito cadeiras do Acre.
Mirla Miranda (Republicanos), irmã do senador e candidato ao governo Alan Rick, recebeu 6.026 votos, também sem sucesso. Virgílio Viana (PV), filho do ex-governador Tião Viana e sobrinho do ex-senador Jorge Viana, conquistou 4.688 votos e contou com apoio público do pai durante a campanha.
Kelen Bocalom (PSDB), esposa do ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom, estreou na política com 2.421 votos, enquanto Leonardo Melo (MDB), filho do ex-governador Flaviano Melo, teve 2.060 votos, sem se eleger.
Abstenção e votos inválidos no Acre
Mais de 125 mil eleitores aptos não votaram no primeiro turno das eleições 2026 no Acre, o que representa uma abstenção de 20,43%. Esse índice é 2% menor que o registrado em 2022, quando a ausência nas urnas alcançou 22,44%.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos 613.742 eleitores aptos, 488.330 compareceram para votar. Entre os votos em branco e nulos, o Senado foi o cargo mais rejeitado, com 38.954 votos em branco e 61.686 nulos.
Os votos em branco e nulos para os demais cargos foram:
Deputado federal: 9.032 em branco e 5.767 nulos.
Deputado estadual: 9.032 em branco e 5.767 nulos.
Governo: 8.926 em branco e 39.398 nulos.
Presidência da República: 5.579 em branco e 13.685 nulos.
Próximos passos na política do Acre
Com a definição dos suplentes e a distribuição das cadeiras, o cenário político acreano segue em transformação. A ausência de familiares de políticos tradicionais nas cadeiras legislativas demonstra a complexidade do sistema proporcional e os desafios para manter a influência política familiar.
O próximo movimento está ligado à articulação interna dos partidos e à preparação para o segundo turno das eleições, que pode trazer novas definições para o comando político do Acre.
