Debate sobre a cacauicultura no Vale do Juruá
Produtores rurais, técnicos, pesquisadores e representantes de diversas instituições se reuniram neste sábado (4) em Cruzeiro do Sul para participar do Seminário da Cacauicultura no Vale do Juruá. Realizado no Auditório da FEM, localizado no Teatro dos Náuas, o evento teve como principal objetivo discutir estratégias para fortalecer a cadeia produtiva do cacau no Acre, promovendo inovação, sustentabilidade e desenvolvimento no campo.
A iniciativa buscou ampliar o diálogo entre produtores, especialistas e órgãos de apoio ao setor, além de compartilhar experiências, desafios e perspectivas de uma cultura que vem ganhando destaque na economia acreana, especialmente na região do Juruá.
Programação focada em inovação e sustentabilidade
O seminário contou com palestras e debates sobre temas relevantes, como melhoramento genético do cacaueiro, sanidade vegetal, manejo sustentável, comercialização, crédito rural e relatos de experiências bem-sucedidas na produção de cacau. O encontro reuniu representantes de instituições ligadas à pesquisa, assistência técnica, defesa agropecuária e desenvolvimento rural, fortalecendo a integração entre os diferentes agentes do setor.
Em entrevista ao Portal Acre, a secretária de Estado de Agricultura, Temyllis Silva, ressaltou que o incentivo à cacauicultura vem sendo desenvolvido desde 2023, ano em que a região de Cruzeiro do Sul recebeu os primeiros debates promovidos pela pasta sobre o potencial dessa cultura no estado.
“Quando iniciamos esse trabalho em 2023, realizamos o primeiro debate para entender por que plantar cacau no Acre e como essa cultura já estava presente nas propriedades rurais. Reunimos instituições e especialistas para garantir ao produtor segurança e fortalecer o acompanhamento técnico”, explicou Temyllis Silva.
Potencial econômico e investimentos previstos
A secretária destacou que o seminário representa a continuidade do processo de fortalecimento da cacauicultura, que já apresenta resultados significativos na região do Juruá. “Aqui a cultura do cacau é muito forte. Já existe inclusive uma indústria voltada para a produção de chocolate, o que demonstra o potencial econômico dessa cadeia produtiva. Esse debate é fundamental para conscientizar os produtores e manter um diálogo aberto sobre os caminhos para o desenvolvimento da atividade”, afirmou.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Dados apresentados durante o evento indicam que o Governo do Acre prevê investimentos de R$ 12,3 milhões para fortalecer a cadeia produtiva do cacau. Atualmente, cerca de 500 famílias participam da atividade, com a meta de alcançar 1.500 famílias até 2027. O estado também trabalha para ampliar o manejo de cacau nativo, que hoje abrange 200 hectares, com previsão de chegar a 800 hectares. A área plantada já alcançou 700 hectares, equivalente a 64% da meta estabelecida de 1.100 hectares.
União entre instituições e produtores para crescimento sustentável
O deputado estadual Tchê, presente no seminário, destacou a importância da colaboração entre instituições de pesquisa, assistência técnica e produtores para garantir o crescimento sustentável da cacauicultura no Acre. Em entrevista ao Portal Acre, ele afirmou que a cultura tem potencial para repetir o sucesso da cafeicultura acreana, desde que receba planejamento, assistência técnica e investimentos coordenados.
“Quando estivemos na Secretaria de Agricultura, identificamos gargalos no setor do café e conseguimos avançar. Agora, na questão do cacau, queremos inverter essa lógica. Precisamos reunir a Universidade Federal, a Embrapa, a Funtac, o Ipam e todos os parceiros para discutir em conjunto. Cada um faz sua parte, mas quando todos trabalham unidos, quem ganha é o produtor rural”, ressaltou o parlamentar.
Para ele, é essencial que os agricultores tenham acesso às informações e tecnologias já validadas, reduzindo os riscos da atividade. “O produtor não pode mais ser laboratório para testar se algo vai dar certo. Precisamos fornecer a receita pronta para que eles consigam plantar e obter sucesso”, destacou.
Tchê também defendeu ações para fortalecer a agricultura familiar e incentivar a permanência dos jovens no campo. “É fundamental garantir dignidade aos produtores e pensar na sucessão familiar. Muitos jovens deixam as propriedades para morar na cidade, mas precisamos fazer com que eles vejam no campo uma oportunidade de sustento e uma vida digna. Isso beneficia o produtor, a agricultura familiar e o estado, gerando emprego e renda”, concluiu.
Experiência e tradição dos produtores locais
Entre os participantes do seminário, a produtora rural Eliana de Souza, uma das pioneiras da cacauicultura na região, destacou a importância do evento para incentivar novos produtores a investirem na cultura. “Este seminário mostra que uma das primeiras lavouras de cacau do estado começou em Cruzeiro do Sul. Ele motiva cada vez mais produtores rurais a entrar nessa cadeia produtiva e traz informações essenciais para quem deseja investir”, afirmou.
Eliana contou que sua relação com o cacau começou há cerca de nove anos, quando plantou os primeiros pés no Ramal 12, área que se tornou referência para a atividade. “Foi ali que tudo começou. Atualmente, trabalhamos também com café e outras culturas, mas a intenção é que o cacau se torne a principal fonte de renda da família”, explicou.
A produtora também relembrou um intercâmbio realizado no Pará, onde conheceu propriedades, agroindústrias e experiências consolidadas na cadeia produtiva do cacau. “Foi uma experiência muito enriquecedora. Visitamos várias lavouras e agroindústrias e voltamos com novas ideias e projetos que contribuíram para o avanço da atividade na região”, destacou.
Agroindústria de chocolate e perspectivas para o futuro
Atualmente, Eliana integra o projeto da primeira agroindústria de chocolate instalada em uma propriedade rural no Acre, localizada no Ramal 12, em Cruzeiro do Sul. Os produtos produzidos localmente já têm sido apresentados em espaços institucionais e eventos, ampliando a visibilidade da produção regional.
A expectativa é que o seminário impulsione ainda mais a produção de cacau no Acre, consolidando a atividade como uma alternativa viável para geração de renda, agregação de valor à produção rural e desenvolvimento sustentável das famílias do campo.
