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    Início»Cultura»Marcos Duprat Revela Seu ‘Mundo Interior’ na Casa de Cultura Laura Alvim
    Marcos Duprat Revela Seu 'Mundo Interior' na Casa de Cultura Laura Alvim
    Cultura 06/03/2026

    Marcos Duprat Revela Seu ‘Mundo Interior’ na Casa de Cultura Laura Alvim

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    Exposição ‘Matéria e Luz’ em Ipanema

    Após 48 anos de carreira na diplomacia, Marcos Duprat se dedica integralmente à pintura e apresenta sua nova exposição, “Matéria e Luz”, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. A mostra, que ficará em cartaz até o dia 3 de maio, reúne 32 obras que refletem suas experiências e a luz dos diversos lugares onde trabalhou, como Washington, Lima, e Tel Aviv.

    Duprat, agora com 81 anos, dedica-se ao seu ateliê na zona sul, onde utiliza sua técnica de veladura para captar a luz e a difusão dos reflexos na água. “Uma tela pode me ocupar até dois meses de trabalho. Isso exige paciência, pois não consigo me submeter à pressa do mercado”, afirma o artista. Ele menciona que a atualidade imediatista contrasta com sua abordagem atemporal da arte.

    Na varanda da Casa de Cultura, as obras se debruçam sobre a movimentada Avenida Vieira Souto, trazendo à tona sua série “Horizontes” (2025) e o díptico “Águas” (2023). Duprat reflete sobre como o mercado de arte brasileiro evoluiu, destacando uma época mais amigável, onde o convívio entre artistas era incentivado. “O ambiente era ótimo, todos se encontravam e trocavam ideias”, lembra.

    Influências e Formação Artística

    Entre os encontros marcantes na trajetória de Duprat está o Atelier Livre do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. Ali, nos anos 60, teve aulas com mestres como Fayga Ostrower e Aluísio Carvão. Sua formação artística continuou em Washington, onde obteve um mestrado na American University, enquanto trabalhava na diplomacia. Uma das obras apresentadas na mostra, “Figura em interior” (1977), remete à sua primeira exposição na capital americana.

    Duprat menciona que seus professores eram influenciados pelo movimento abstrato-expressionista, mas o encorajaram a seguir seu próprio caminho. “Eles me diziam para fazer o que achasse bom. Mesmo De Kooning, que era uma referência, trabalhava com modelo vivo. As linhas de tensão do corpo humano são fundamentais para o aprendizado. Criar uma figura em pé, por exemplo, é um grande desafio”, explica.

    Um Último Homenagem a Antônio Cicero

    Uma das figuras que marcou a vida de Duprat foi o poeta e compositor Antônio Cicero. O texto de apresentação da exposição, escrito por Cicero e adaptado para a mostra, serve como uma homenagem ao amigo, que faleceu em um procedimento de morte assistida na Suíça. “Falamos sobre trazer seu texto para a exposição como uma forma de manter sua presença viva aqui”, conta Duprat.

    Ele relembra o momento em que conheceu Cicero em Washington, onde este fazia doutorado em filosofia. Duprat recorda da jovem Marina Lima, irmã de Cicero, que já mostrava talento e interesse pela música. “Antonio sempre foi uma pessoa lúcida, mesmo enfrentando problemas de saúde. O texto dele capta com precisão meu ‘mundo interior’, refletindo a introspecção que é crucial para a pintura”, revela.

    Introspecção e Representação Artística

    Duprat destaca que suas obras não carregam necessariamente uma tensão social ou ideológica. Para ele, a arte deve falar de forma humana e íntima. “O que faço é simples, não busca chocar à primeira vista. Cada um pode encontrar seu próprio significado nas minhas telas”, conclui. Assim, a exposição “Matéria e Luz” se apresenta não apenas como um recorte da trajetória de Duprat, mas como um convite à contemplação e à introspecção.

    arte contemporânea Casa de Cultura Laura Alvim exposição de arte Marcos Duprat
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