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    Início»Política»Celso de Mello Alerta: Xenofobia Racializada Não é Política Pública
    Celso de Mello Alerta: Xenofobia Racializada Não é Política Pública
    Política 10/02/2026

    Celso de Mello Alerta: Xenofobia Racializada Não é Política Pública

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    A Desumanização na Política Migratória

    A tensão entre a celebração da diversidade e a resistência ultraconservadora, como observada entre os apoiadores de Donald Trump, evidencia uma problemática política significativa. Para muitos defensores desse movimento, a diversidade é percebida não como um valor democrático, mas como uma ameaça que precisa ser controlada. Essa visão reflete uma abordagem que se distancia dos princípios democráticos em prol de um discurso que gera medo e exclusão.

    A soberania de uma democracia permite que ela regule os fluxos migratórios, mas não pode transformar esse debate em uma retórica de desumanização, que fere os direitos humanos e o pacto constitucional que todos devem respeitar. Quando um migrante latino é reduzido a um problema — sua origem encarada como suspeita e sua identidade cultural tratada como uma anomalia — transita-se para um campo perigoso, onde as políticas públicas se tornam ferramentas de exclusão.

    Xenofobia como Estratégia de Poder

    A desumanização não é um ato neutro. Trata-se de uma manifestação de poder que gera temor, legitima discriminações e permite abusos de autoridade. O trumpismo, ao insinuar que ser um “verdadeiro estadunidense” depende de critérios raciais ou fenotípicos, ameaça minar o conceito de cidadania baseado no “jus soli”, o que é incompatível com os fundamentos democráticos de inúmeras nações, incluindo o Brasil.

    Nos Estados Unidos, a Emenda 14, que estabelece que qualquer pessoa nascida em território americano é um cidadão, reflete essa abordagem de inclusão. Portanto, a proposta de um nativismo que ignore este fato histórico é não apenas um retrocesso, mas um ataque ao próprio sistema de proteção dos direitos humanos, conforme explicitado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que assegura a cada indivíduo o direito a uma nacionalidade.

    Respeito aos Povos Latino-Americanos

    É fundamental mudar o tom da discussão. Não basta criticar a discriminação; é preciso afirmar a dignidade e a contribuição dos povos latino-americanos. Somos descendentes de civilizações ricas e diversas, construindo cultura, arte e ciência que impactam o mundo todo. Nossa identidade não deve ser reduzida a estigmas ou estereótipos, mas sim celebrada.

    Os latinos têm muito a oferecer, não apenas culturalmente — destacando-se na literatura, música e artes visuais — mas também em contribuições científicas e econômicas, que são essenciais para o desenvolvimento social. Os povos da América Latina, portanto, não devem ser percebidos como marginalizados ou irrelevantes, mas como parte integral e fundamental da sociedade contemporânea.

    Os Direitos Humanos em Jogo

    Uma democracia verdadeira se mede não apenas pelas eleições, mas pela maneira com que trata suas minorias e grupos vulneráveis. Políticas de exclusão e humilhação, como as promovidas pelo governo Trump, não podem ser justificadas. A afirmação da dignidade humana deve ser universal e inegociável.

    O apelo dos latinos por respeito e inclusão vai além de um simples grito retórico; é uma reafirmação de nossa presença e pertencimento em um mundo que precisa de mais solidariedade e menos discriminação. Em tempos de crescente intolerância, é essencial que se reafirme que não existe grandeza nacional onde se oprime a dignidade humana. O enfrentamento à política de desprezo deve ser um esforço coletivo, não apenas para os latino-americanos, mas para todos que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária.

    crise da democracia direitos humanos política migratória em Portugal trumpismo xenofobia racializada
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