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    Hanseníase: Acre encerra 2025 com aumento de 240 casos; Janeiro Roxo destaca a importância da preven
    Saúde 26/01/2026

    Hanseníase: Acre encerra 2025 com aumento de 240 casos; Janeiro Roxo destaca a importância da prevenção

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    Campanha Janeiro Roxo e os Desafios da Hanseníase

    O estado do Acre registrou 240 novos casos de hanseníase ao final de 2025, conforme dados do programa estadual que monitora a doença. Esse aumento preocupa e destaca a importância da campanha Janeiro Roxo, que enfatiza a necessidade de diagnóstico precoce, tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a luta contra o estigma que ainda impede muitos pacientes de buscarem ajuda.

    Com esses novos registros, o Acre ocupa a oitava posição no Brasil e a quarta posição na Região Norte, apresentando cerca de 16 casos a cada 100 mil habitantes. Para efeito de comparação, em 2024 foram contabilizados 170 casos da doença, o que mostra um aumento significativo nas notificações.

    Suilany Souza, responsável pelo programa de hanseníase no estado, comenta que o aumento no número de diagnósticos pode ser atribuído à ampliação das ações de vigilância e à busca ativa por casos nos municípios. Segundo ela, “O aumento das notificações mostra que o diagnóstico está chegando mais cedo à população. Fortalecer a informação e o acesso aos serviços de saúde é essencial para que os casos surjam e possam ser tratados de maneira eficaz”.

    A hanseníase é uma doença infecciosa que afeta a pele e os nervos periféricos, apresentando sintomas como manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, que costumam vir acompanhadas de perda de sensibilidade. De acordo com o coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Elson Dias, é fundamental investigar qualquer sinal suspeito. “Ao notar uma mancha dormente, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde. A hanseníase tem cura e o tratamento é gratuito pelo SUS. Diagnósticos tardios podem levar a sequelas”.

    Os Efeitos do Preconceito

    A hanseníase não impacta apenas a saúde física, mas também provoca marcas sociais profundas, principalmente devido ao preconceito. No Acre, mais de 1,5 mil pessoas beneficiadas por políticas públicas estão em processo de reintegração social, buscando reparar os danos causados pela segregação no passado.

    A história de João Pereira, um aposentado que começou a apresentar sintomas na infância, ilustra bem essa realidade. Diagnosticado aos nove anos, ele foi afastado da família e viveu isolado em Boca do Acre até os 18 anos. “O preconceito foi pior do que a doença. As pessoas não deixavam eu chegar perto, nem tomar banho com a minha mãe”, relembra.

    As consequências dessa exclusão social não afetam apenas os indivíduos diagnosticados, mas também suas famílias. Marilza Assis, voluntária do Morhan, foi separada do pai quando tinha apenas seis meses, após ele ser afastado por causa da hanseníase. Sem suporte e enfrentando a rejeição, sua mãe acabou doando as filhas para outra família. “Não tive a oportunidade de estudar quando era criança, só fui para a escola aos 34 anos. Hoje, aos 55, sinto que estou vivendo minha vida agora”, disse ela.

    A Luta Contra o Estigma

    Para os profissionais envolvidos no enfrentamento da hanseníase, a informação é uma ferramenta crucial para a quebra do estigma. Suilany Souza destaca que educar a população e os profissionais de saúde é essencial para garantir o acesso ao tratamento necessário. “Quando levamos informação, quebramos o preconceito. A hanseníase tem tratamento, não é transmitida por contato esporádico e não deve afastar as pessoas do cuidado que precisam”.

    A campanha Janeiro Roxo, portanto, emerge não apenas como um alerta, mas como um chamado à ação, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da empatia no combate a essa doença ainda cercada de tabus.

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